TRAGÉDIA

Prédios desabam na Muzema, Rio

Prédios desabam na Muzema, Rio

Bombeiros tentam resgatar cerca de 17 vítimas sob os escombros

Bombeiros tentam resgatar cerca de 17 vítimas sob os escombros

Publicada há 2 meses

Moradores retiraram homem dos escombros apoiado em uma porta, que foi usada como maca


O desabamento aconteceu por volta das 7h desta sexta-feira (12). Não chovia no momento. Uma das construções teria quatro andares e outra, três. A área de isolamento foi ampliada pelos bombeiros, que consideram que outros prédios da região podem ir abaixo. Há um forte cheiro de gás.

Segundo o repórter Genilson Araújo, há cerca de 60 prédios em construção na região, que é dominada por milícias. Reportagem do RJ2 mostrou que os criminosos atuam na construção e venda de imóveis irregulares.

Os moradores dos prédios que desabaram disseram que eles foram inaugurados há seis meses. 

FERIDOS

Entre os feridos, está uma família que se mudou há uma semana para o local: um casal e uma filha de 10 anos. Os três foram levados para o Hospital Municipal Lourenço Jorge.

Um morador que foi retirado dos escombros chorou muito ao encontrar com a neta. A mulher dele ainda está nos escombros.

Os bombeiros pedem que todos ao redor façam silêncio, para que possam ouvir possíveis pedidos de socorro.

O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, está na região para acompanhar os trabalhos de resgate. O governador Wilson Witzel lamentou o incidente em uma rede social.

RELATOS DE MORADORES E VIZINHOS

Uma mulher, que se identificou como Érica, contou que tentava encontrar a mãe nos escombros. O padrasto conseguiu sair prédio.

“Meu padrasto está vindo pra cá, mas a minha mãe está gritando ali. Os moradores que estão ajudando foram até ali e ouviram uma senhora gritar exatamente no quarto dela”, disse a moradora.

De acordo com ela, os moradores estavam preocupados com as consequências da chuva e o andamento das construções.

“Eles construindo sem fim, sem parar. Uma construção atrás da outra, uma loucura. Era retroescavadeira, explosões constantes. Só querem construir e vender”, afirmou a moradora.

Moradora relata ouvir gritos nos escombros do desabamento na Muzema.

Edvaldo, morador do primeiro andar do prédio, disse que teve que correr para conseguir escapar. Ele tem escoriações na perna.

“Eu estava no quarto, aí corri para a sala. Quando eu cheguei lá, desmoronou tudo em cima de mim. Foi muito rápido. Passou um pó branco, muita poeira”, destacou Edvaldo.

Outro morador, chamado Ronaldo, contou que as construções são novas. “De repente foi um estrondo, foi tudo de uma vez. Do nada começou a desmoronar”, explicou.

CHUVAS

A Muzema foi uma das áreas mais atingidas pelo temporal que caiu no Rio. A cidade está em estágio de crise desde segunda-feira (8). O desabamento aconteceu em uma das áreas mais elevadas da comunidade, perto da mata.

Na manhã de quinta-feira (11), a principal avenida de ligação do bairro, que também dá acesso ao Rio das Pedras, continuava alagada e interditada.

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