EDITORIAL

A importância da palavra

A importância da palavra

Artigo

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Publicada há 1 semana

A palavra é o primeiro alimento do bebê. É ela que conduz a criança ao desenvolvimento emocional e cognitivo, à construção do imaginário e ao processo de aquisição da linguagem. A todo tempo podemos oferecer às crianças algum tipo de diálogo, formal ou informalmente. Cantando canções de infância, contando casos de família e lendas da nossa cultura, ajudando-as a ler textos e imagens nas placas de orientação, nas ruas. Todas essas linguagens, embora simples, são ferramentas essenciais na relação de adultos com crianças e que serão a base de todo o desenvolvimento linguístico delas.

São muitos os estudos que demonstram que a formação de conexões cerebrais é mais intensa no período entre a gestação e os cinco anos de idade, alicerçadas nas experiências vivenciadas. Em todas as culturas, as crianças se reconhecem, compreendem tempos e espaços, criam vínculos e constroem memórias afetivas por meio da palavra. Por esse motivo, o direito à leitura e a outros bens culturais deve ser garantido, para que todas as crianças tenham oportunidades de desenvolver as competências de leitura e escrita necessárias para o pleno exercício da cidadania. Além disso, o fortalecimento do vínculo afetivo familiar aumenta sua segurança para ganhar autonomia.

Ao apresentar às crianças a fantasia, por meio das histórias e dos personagens, a literatura exerce um papel fundamental na construção do significado. Elas passam a usar a imaginação e a criatividade para lidar com sentimentos e emoções, enriquecendo e ampliando suas experiências com as pessoas com quem convivem e com elas mesmas.

A vida em família mudou significativamente de 30 anos para cá. Naquele tempo, a permanência da mãe em casa, o convívio com os avós, um núcleo familiar maior -- com tios e primos vivendo no mesmo bairro -- a proximidade com os vizinhos, favorecia um ambiente de narrativas mais ricas. As rodas de histórias, os contos de terror, as lendas regionais, eram elementos férteis para a construção do imaginário por meio da palavra. Atualmente, com o ritmo de vida em outra rotação, esses espaços foram preenchidos por TVs, computadores e tablets. É impossível imaginar o nosso dia a dia sem a tecnologia, claro. Não se trata disso. Mas é fundamental resgatar o equilíbrio desta relação para criar crianças bem nutridas emocionalmente, como diz Parra.

O afeto e a disponibilidade dos pais são mais determinantes para as práticas de leitura do que a condição socioeconômica. A qualidade das interações, conversas e trocas no ambiente familiar favorece a apropriação de ferramentas essenciais para viver e conviver num mundo letrado e a participação efetiva numa sociedade que é mediada pela palavra. As escolas e creches, embora não sejam as únicas responsáveis pela promoção das práticas sociais de leitura, acabam sendo, muitas vezes, um lugar privilegiado para garantir o acesso à palavra, à cultura e à arte.

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