EDITORIAL

O ser humano

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Artigo

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Publicada há 4 semanas

Em tempo de modernidade e avanços tecnológicos, a vida cotidiana passou a ter muitas facilidades. O ser humano como ser histórico, tem transformado seu dia a dia criando e inovando o seu trabalho, sua rotina, facilitando a locomoção, construindo novos conceitos e valores, e inovando seu processo de aprendizagem. Esses avanços tecnológicos têm modificado até o jeito de nossas crianças brincarem.

Em um mundo de acesso fácil e rápido às informações, as crianças não brincam como as de antigamente, tanto que a própria concepção de infância evoluiu. Sendo assim, as formas de brincar também sofreram a influência das novas tecnologias. Mas será que o que fez parte do passado pode ser simplesmente descartado por causa do “novo tempo”? Seria melhor deixarmos o velho e abraçarmos o novo como se não importasse o processo histórico de transformações sofridas em nossa sociedade.

A criança como sujeito histórico tem em suas brincadeiras, em seus jogos, uma forma diferente de enxergar o mundo. Por meio dos jogos, dos brinquedos e da brincadeira, ela explora ao máximo a realidade que a cerca e proporciona a si um mergulho no mundo adulto. Criam conceitos por meio da imitação da rotina dos pais em suas brincadeiras, e recriam formas de realizar um jogo, relacionando a sua vivência com o meio social a qual pertence.

Uma das críticas atuais está atrelada aos brinquedos. Pode-se constatar que com o advento da tecnologia os brinquedos muita das vezes, com suas luzes, motores, pilhas e controle remoto deixam a criança em sua criatividade um pouco inertes, pois alguns brinquedos fazem com que a ação criativa não seja o principal foco, tornando-os meros expectadores, porque o brinquedo brinca sozinho. 

O uso excessivo das telas, como televisores, tablets e smartfones, também é um ponto relevante que precisa de atenção. Não se propõe aqui a negação do uso desses objetos, mas o controle e a intervenção do adulto no uso dessas tecnologias. Com o acesso a informações e jogos ao alcance das mãos, a criança assiste e interage com um mundo repleto de informações, socializando de forma virtual os conhecimentos que adquire nas mídias sociais. Mas, será que a forma de brincar da atualidade proporciona conhecimentos que levem a criança a ser autônoma, crítica, promotora de modificações do seu meio social, ressignificação de ideias e questionadora das informações a qual lhes são impostas?

Os jogos simbólicos, as brincadeiras de faz de conta, as cantigas de roda e o contato direto com a natureza, proporcionam às crianças a vivência da realidade de seus pais e avós. Essas brincadeiras apresentam à criança novas possibilidades de criar, recriar e resignificar os sentidos sendo, ela mesmo, atuante efetiva na ação sobre o brinquedo. A criança brinca com o brinquedo e ela não se torna só a expectadora do brinquedo ou de suas ações limitadas. Ela explora o mundo, compreende as regras sociais, cria seus próprios valores e atribui significado às informações que recebe e socializa, tornando-as conhecimento.

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