EDITORIAL

Felicidade e Normalidade

Felicidade e Normalidade

Artigo

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Publicada há 2 semanas

Todo vivente quer viver e ser feliz. É sobre esta vontade espontânea, pode-se mesmo dizer, num certo sentido, instintiva, que se modelará todo seu agir. A eterna busca da felicidade, eis o que define a lei profunda e indubitavelmente interior que rege toda a vida humana. É portanto, neste nível que a moral deve se situar.

Ela se torna, então, intrínseca ao homem, não mais gratuita e imperiosa, mas exigência poderosa que permite melhor viver, melhor ser, se estabelecer na felicidade realizando-se plenamente em toda dimensão de sua racionalidade.

Com efeito, a felicidade se situa no nível do ser. Tornou-se necessário relembrá-lo com insistência em uma época como a nossa, que se caracteriza pelo culto exagerado do ter. Em nossos dias, a relação entre o ser e o ter é, certamente, uma das mais importantes a se definir, não somente pelos filósofos como Gabriel Marcel, mas por todo homem que não quer frustrar sua vida.

Ora, é isto precisamente, o que ocorre aqueles que dão prioridade ao ter sobre o ser, como é o caso de muitos dos contemporâneos. Vive-se, há já alguns séculos, sob o signo cabalístico da propriedade. O ideal do homem se tornou a posse. O sonho de ter é universal: possuir é uma mística. Termina-se por crer, ainda que inconscientemente, que tudo pode ser comprado, mesmo o amor e a felicidade. Ora, esta obsessão de ter engendra uma diminuição no nível do ser. E é estranho se bem que revelador, constatar que são, com frequência os mais ricos os menos felizes. Porque, se ter não é um vício, mas uma necessidade, é igualmente verdade que ter não é suficiente.

Nada existe passivamente; não se sofre a ação do ser, não nos deixamos ser: nós fazemos ser. Não pode haver felicidade a não ser no equilíbrio. Do mesmo modo que o bem, isto é, a felicidade do corpo está na saúde, não na doença, não na patologia somática, assim o bem isto é, a felicidade do espírito reside no equilíbrio psicológico, não na patologia interior. Tanto a experiência humana como o bom senso confirmam que existe uma relação essencial entre felicidade e normalidade.

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