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Depressão é coisa séria!

Depressão é coisa séria!

Por Carlos Eduardo

Por Carlos Eduardo

Publicada há 1 semana

Sentir-se sozinho em meio aos amigos e familiares. Preferir o isolamento ao invés da companhia das pessoas queridas. Sentir tristeza profunda sem ter motivo. Ficar irritado, constantemente, com coisas banais. Chorar com facilidade. Sofrer com a insônia. Ver o mundo cinza onde só há cor. Não ter prazer em viver. Em casos extremos, pensar em tirar a própria vida. Esses são alguns dos sentimentos experimentados por uma pessoa com depressão. 

A depressão é um transtorno mental bastante frequente e, segundo pesquisa recente da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 300 milhões de pessoas no mundo sofrem desse mal.

O Brasil é campeão de casos na América Latina, onde 5,8% da população (cerca de 11,5 milhões de brasileiros) sofre com essa doença. A faixa etária mais afetada varia entre 55 e 74 anos.

É a principal causa de incapacidade em todo mundo, sendo que as mulheres são mais afetadas do que os homens, embora o suicídio (a pior consequência da depressão), seja bem mais comum no público masculino do que no feminino.

Uma pesquisa realizada no estado de São Paulo, pela Fundação Seade, reforça a constatação de que o suicídio é mais comum entre os homens. O trabalho se baseou nas certidões de óbitos dos Cartórios de Registro Civil em todos os municípios paulistas, no biênio 2013-2014, e revelou que 80% das vítimas, neste período de tempo, foram homens, e que 72,3% deles tinham entre 15 e 64 anos.

Ainda em relação ao suicídio, segundo a OMS, mais de 800 mil pessoas praticam esse ato extremo no mundo, sendo essa a segunda causa de morte de jovens entre 15 a 29 anos. Mais de 90% dos casos estão relacionados à doenças mentais, dos quais se destaca a depressão (36%).

A depressão resulta de uma complexa interação de fatores biológicos, sociais e psicológicos. Alguns “gatilhos” podem desencadear o processo como perda de um ente querido (luto), desemprego, ruptura de um relacionamento, doenças, consumo excessivo de álcool e uso de drogas (dados de um relatório da OMS publicados em 2017).

A boa notícia é que há tratamento eficaz que combina terapia, realizada com psicólogo, e uso de medicamentos, prescritos por um psiquiatra. Embora seja fundamental buscar ajuda profissional nesses casos, ainda há muita resistência das pessoas em realizar o tratamento devido ao preconceito que as doenças mentais suscitam na sociedade.

“O preconceito, que gera estigma, pode ser combatido com conhecimento. Melhorar o conhecimento gera desmistificação de falsas crenças e estereótipos, fornecendo dados reais acerca da doença e de quem sofre dela. Afinal, as doenças mentais são tratáveis e muitos pacientes se recuperam”, destaca Nadége Herdy, psiquiatra da Rede de Hospitais São Camilo, de São Paulo, em matéria publicada no jornal “O Estado de S. Paulo, em 10 de outubro de 2018.

Depressão não é frescura, como se pensava no passado, muito menos falta de fé ou de Deus, como alguns ainda acreditam. Se fosse verdade, alguns religiosos, como o famoso padre Marcelo Rossi, não teriam sido acometidos por esse mal. Depressão é uma doença, como o próprio padre um dia reconheceu: “Achava que depressão era frescura. Hoje sei que é uma doença e tem tratamento”.

É importante destacar que o apoio da família e dos amigos, o amor, a compreensão e a paciência com a pessoa que está com depressão são fatores tão importantes no tratamento quanto a terapia e os medicamentos.

A pessoa com depressão pode entrar em contato com o Centro de Valorização da Vida (CVV) através do número de telefone 188, gratuitamente, em todos os estados do Brasil. Por meio dessa ligação, que é sigilosa, voluntários treinados dão apoio emocional a todos que querem e precisam conversar. O belo trabalho dessa associação civil sem fins lucrativos já preveniu muitos suicídios.

Depressão é coisa séria!

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