FRAUDE

Justiça prorroga prisões temporárias de suspeitos envolvidos na Operação Vagatomia

Justiça prorroga prisões temporárias de suspeitos envolvidos na Operação Vagatomia

Na tarde desta segunda-feira, a Polícia Federal realizou nova operação na Universidade Brasil, em Fernandópolis.

Na tarde desta segunda-feira, a Polícia Federal realizou nova operação na Universidade Brasil, em Fernandópolis.

Publicada há 1 semana

Da Redação 

A Justiça Federal prorrogou por mais 5 dias a prisão de 11 suspeitos envolvidos em fraude cima dos programas federais de bolsas de estudo Fies e Prouni durante a Operação Vagatomia, realizada na última terça-feira, 3, pela Polícia Federal de Jales. 

A operação também investiga suspeitos de participarem de um esquema de fraude na comercialização de vagas e transferências de alunos do exterior, principalmente Paraguai e Bolívia, para o curso de Medicina em Fernandópolis. Outras 11 pessoas continuam com as prisões preventivas decretadas. Dois investigados seguem foragidos.

Na última sexta-feira, 6, um dos cofres apreendidos na residência de um dos investigados foi aberto e relógios de luxo, joias e dólares foram localizados e apreendidos. Estimativas da Polícia Federal indicam que, nos últimos cinco anos, aproximadamente R$ 500 milhões do Fies e Prouni foram concedidos fraudulentamente.

De acordo com a PF, o dono da Universidade Brasil, José Fernando Pinto Costa, de 63 anos, e o filho dele, também usavam o dinheiro desviado para comprar imóveis, helicópteros, jatinhos, aviões e dezenas de veículos. José Fernando, que também é o reitor da instituição, foi preso em São Paulo. O filho dele foi preso no aeroporto de Guarulhos (SP). Eles são apontados pela PF como chefes do esquema.

Operação 

A Polícia Federal prendeu 22 pessoas, suspeitas de participarem de um esquema de fraude de R$ 500 milhões na Universidade do Brasil, de Fernandópolis, em cima dos programas federais de bolsas de estudo.

Cerca de 250 policiais federais cumpriram mandados judiciais em Fernandópolis, Rio Preto, São Paulo, Santos, Presidente Prudente, São Bernardo do Campo, Porto Feliz, Meridiano, Murutinga do Sul, São João das Duas Pontes e Água Boa, no Mato Grosso, resultando na prisão do diretor geral do campus fernandopolense, Amauri Piratininga, além do advogado e ex-professor Orlando Machado, e da cúpula do Fernandópolis Futebol Clube: Oclécio Dutra (presidente) e Ricardo Saravalli (vice), acusados de captar alunos, uma espécie de assessoria para a diretoria da universidade. Entre os mandados judiciais expedidos estão 11 prisões preventivas, 11 prisões temporárias, 45 ordens de busca e apreensão e 10 medidas cautelares (alternativas à prisão).

Entenda o esquema

As "assessorias educacionais", com o apoio de toda a estrutura administrativa da universidade negociaram centenas de vagas para alunos que aceitaram pagar pelas fraudes a fim de serem matriculados no curso de medicina. Entre estes alunos, que compraram suas vagas e financiamentos, existem filhos de fazendeiros, servidores públicos, políticos, empresários e amigos do dono da universidade, todos com alto poder aquisitivo, que mesmo sem perfil de beneficiário do FIES, mediante fraude, tiveram acesso aos recursos do Governo Federal. Com a sistemática atual de inclusão de dados e aprovação do Fies pelas próprias universidades privadas (beneficiárias dos recursos que aprovam) a PF estima que milhares de alunos carentes por todo o Brasil podem ter sido prejudicados em razão destas fraudes.

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