FRAUDES

Justiça liberta 10 presos da Operação Vagatomia

Justiça liberta 10 presos da Operação Vagatomia

Doze pessoas com prisões preventivas decretadas permanecerão presas em várias cadeias da região.

Doze pessoas com prisões preventivas decretadas permanecerão presas em várias cadeias da região.

Publicada há 1 mês

Da Redação 

A Justiça determinou nesta sexta-feira, 13, a libertação de 10 pessoas presas durante a Operação Vagatomia, deflagrada no início do mês. Elas são suspeitas de participar de venda de vagas do curso de medicina da Universidade Brasil (campus Fernandópolis), fraudes no Fies, no Prouni e no exame Revalida. A única não beneficiada com a decisão é uma empresária de Rio Preto, que teve sua prisão temporária convertida em prisão preventiva.

Segundo apurou a reportagem, 12 pessoas com prisões preventivas decretadas permanecerão presas em várias cadeias da região, onde foram detidas à disposição da Justiça Federal.

Todos os presos que foram colocados em liberdade continuarão sob investigação e terão de cumprir uma série de medidas cautelares impostas pela Justiça Federal, como afastamento das atividades que exercem na universidade, proibição em viajar por mais de 30 dias da cidade e não podem se ausentar do Brasil. Alguns advogados que prestam assessoria jurídica à Universidade Brasil também estão submetidos a medidas cautelares.

Os presos preventivamente em São Paulo, (entre eles o dono da universidade investigada, que renunciou ao cargo de reitor) foram transferidos da Custódia da Polícia Federal em São Paulo para o Centro de Detenção Provisória de Pinheiros - (CDP 3), onde permanecerão à disposição da Justiça.

Campus fernandopolense

O diretor geral do campus de Fernandópolis, Amauri Piratininga, também investigado na operação, foi solto nos primeiros minutos da madrugada desta sexta-feira, 13. Ele chegou em uma viatura da Polícia Civil ao Plantão Policial, foi submetido a exame de Corpo de Delito e liberado. 

Nova prisão 

Equipes da PF prenderam em Rio Preto a médica A.S.S.S., 43 anos, em cumprimento a um mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça Federal de Jales.

A médica é casada com o médico F.R.S. 45 anos, que também está preso preventivamente no CDP 3 de Pinheiros em São Paulo. Eles são donos de empresas investigadas que oferecem cursos de complementação a alunos de medicina formados no exterior, que desejam aprovação no exame Revalida para atuarem como médicos no Brasil. 

A médica, assim como seu marido, também é investigada, mas encontrava-se em liberdade cumprindo medidas cautelares determinadas pela Justiça Federal. Em liberdade a médica estava prejudicando as investigações e descumprindo ordens determinadas pela justiça. A PF tomou conhecimento dos fatos e representou pela prisão dela à Justiça Federal de Jales, que decretou a prisão preventiva juntamente com uma ordem de busca e apreensão em sua residência. 

Com a presa foram apreendidos R$ 33 mil em espécie, um aparelho de celular e outros documentos, entre eles um recibo de depósito em dinheiro que demonstra movimentação de quantias elevadas em contas correntes em nome de terceiros. Dois veículos de luxo da mesma marca e modelo também foram encontrados e relacionados pela PF para posterior informação à Justiça Federal. 

Operação 

A Polícia Federal prendeu, no início do mês, 22 pessoas, suspeitas de participarem de um esquema de fraude de R$ 500 milhões na Universidade do Brasil, de Fernandópolis, em cima dos programas federais de bolsas de estudo. Cerca de 250 policiais federais cumpriram mandados judiciais em Fernandópolis, Rio Preto, São Paulo, Santos, Presidente Prudente, São Bernardo do Campo, Porto Feliz, Meridiano, Murutinga do Sul, São João das Duas Pontes e Água Boa, no Mato Grosso.

As investigações apontam que o líder da organização criminosa é o próprio dono da universidade, José Fernando Pinto da Costa. O empresário de 63 anos, e seu filho, que também é sócio do grupo educacional, não só tinham conhecimento, mas também participavam dos crimes em investigação. Uma estrutura formada por funcionários e pessoas ligadas à universidade dava condições para que as fraudes fossem realizadas.

O esquema

As "assessorias educacionais", com o apoio dos donos e toda a estrutura administrativa da universidade, negociaram centenas de vagas para alunos que aceitaram pagar pelas fraudes a fim de serem matriculados no curso de medicina.

Entre estes alunos, que compraram suas vagas e financiamentos, existem filhos de fazendeiros, servidores públicos, políticos, empresários e amigos do dono da universidade, todos com alto poder aquisitivo, que mesmo sem perfil de beneficiário do FIES, mediante fraude, tiveram acesso aos recursos do Governo Federal. Com a sistemática atual de inclusão de dados e aprovação do Fies pelas próprias universidades privadas (beneficiárias dos recursos que aprovam) a PF estima que milhares de alunos carentes por todo o Brasil podem ter sido prejudicados em razão destas fraudes.

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