CORONAVÍRUS

Entregadores na linha de frente da pandemia se arriscam pelas ruas de Fernandópolis

Entregadores na linha de frente da pandemia se arriscam pelas ruas de Fernandópolis

Relatos apontam que a necessidade econômica faz trabalhadores encararem risco do coronavírus

Relatos apontam que a necessidade econômica faz trabalhadores encararem risco do coronavírus

Publicada há 1 mês

Breno Guarnieri

Enquanto muitos fernandopolenses praticam autoisolamento para se proteger da pandemia da covid-19, doença causada pelo coronavírus, Daniel Martins, 29 anos, vai de porta em porta. Ele trabalha, por meio de aplicativos, levando comida dos restaurantes às casas dos clientes.

Daniel está preocupado em ser exposto ao vírus. “Mesmo eu sendo jovem eu sei dos riscos que estou correndo nas ruas, mas eu preciso trabalhar, não posso ficar em casa, sem fazer nada (quarentena), como estão pedindo”, destaca.

Em Fernandópolis, os estabelecimentos que estão operando no sistema de entrega responderam à situação da pandemia com novos regulamentos de higiene. É o caso do restaurante Magnus Beer, cujo proprietário Carlos Magno Cruz, 50 anos, realiza as próprias entregas do estabelecimento.

“Meu entregador parou esta semana. Resolvi, então, eu mesmo realizar as entregas. Estou somente com o serviço de delivery e entrega no balcão. Procuro tomar todos os cuidados possíveis. Uso máscaras e evito tirar o capacete durante as entregas”, diz Carlos, que ainda salienta: “entrego as marmitas o mais distante possível das pessoas. Antes de sair para realizar as entregas, eu higienizo as mãos (água e sabão/álcool em gel), quando volto ao estabelecimento, deixo a bag, a máscara e o capacete no balcão da frente do estabelecimento, e, novamente, higienizo as mãos. Somente depois adentro ao restaurante. O que for possível para evitar (contagio) a gente faz”.

SEM ESCOLHA

Para alguns estabelecimentos, em Fernandópolis, oferecer entrega pode ser a única forma de não ir à falência. Com as cidades “paradas”, produtos, alimentos e medicamentos deverão circular cada vez mais neste tipo de atividade. 

"Não é todo trabalho que permite ficar em casa. Estou com medo, tenho pessoal idoso em casa. Não é que não estamos sujeitos, mas para eles é pior”, diz Rodrigo Caldeira, 30 anos. 

Segundo o entregador, ele se protege por iniciativa própria: ao chegar no restaurante, que trabalha, usa o álcool em gel disponível ali e pega um pouco para colocar no frasco que o acompanha nas entregas.

CASOS 

O boletim epidemiológico da Prefeitura de Fernandópolis confirmou, até o fechamento desta matéria, dois casos positivos para coronavírus no município. São 23 os pacientes com suspeita de covid-19.

Carlos Magno toma todos os cuidados em relação ao coronavírus durante as entregas

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