CORONAVÍRUS

Hospitais da região tem 146 pacientes internados com Covid-19 em 10 cidades

Hospitais da região tem 146 pacientes internados com Covid-19 em 10 cidades

Como alguns locais não têm leitos específicos, os pacientes são transferidos para município maior

Como alguns locais não têm leitos específicos, os pacientes são transferidos para município maior

Publicada há 1 mês

Da Redação

As dez maiores cidades da região e Rio Preto têm hoje 146 pacientes internados com infecção por coronavírus confirmada ou suspeita. Eles estão em Barretos, Catanduva, Fernandópolis, Novo Horizonte, Olímpia, Santa Fé do Sul e Votuporanga, em enfermarias e UTIs. Quando a doença é leve e o paciente não tem nenhum fator de risco, o ideal é que permaneça em casa, pois assim corre menos risco de ser contaminado pelo coronavírus (em caso de suspeita) e pode fazer o isolamento domiciliar.

Catanduva é o terceiro município da região com maior número de casos confirmados e óbitos pela Covid-19, atrás apenas de Barretos. São 113 ocorrências positivas e oito óbitos. Os dois hospitais da cidade atendem também pacientes da microrregião do entorno.

Na Fundação Padre Albino, foi montado um fluxo desde que a epidemia começou. A recomendação do Ministério da Saúde é não misturar as pessoas com a doença confirmada com a suspeita - se o indivíduo tiver outro vírus respiratório e permanecer perto de alguém com coronavírus, ele pode ser contaminado. 

Os pacientes adultos são atendidos pelo Hospital Emílio Carlos; já gestantes e crianças vão para o Hospital Padre Albino. "Foi montada uma estrutura com 22 leitos de enfermaria e mais 20 de UTI, além de uma unidade de pronto atendimento com equipes médicas específicas para isso", afirma Fernando Colla, diretor médico do Hospital Padre Albino. "Todos foram treinados principalmente na questão de paramentação, que foi uma condição praticamente nova. A gente lidava com doenças infectocontagiosas, de isolamento, mas não em um nível que chegou dessa vez com a Covid-19", diz Colla, cuja formação é de intensivista e relata que está sendo necessário que as equipes trabalhem mais, não só lá, para dar conta da demanda.  

Desde que a epidemia começou, a unidade respiratória da Fundação atendeu 301 pacientes, sendo que 150 precisaram de internação. No Hospital Unimed São Domingos passaram, desde o início da pandemia, 42 pessoas com Covid-19 confirmada, e 19 deles precisaram ser hospitalizados. 

Mesmo as cidades menores atendem a microrregião também. "Remanejamos oito leitos de enfermaria e cadastramos cinco leitos de UTI a mais", diz Lara Nogueira, enfermeira da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar da Santa Casa de Olímpia, por onde já passaram sete pacientes com a doença confirmada e 40 com suspeita. Dentre os confirmados, estão moradores de Altair, Cajobi, Severínia e Olímpia.

Dentre as pessoas internadas na Santa Casa de Votuporanga nesta sexta-feira, 29, sete eram da própria cidade, mas também havia moradores de Magda, Macaubal, Gastão Vidigal, Nhandeara e Valentim Gentil. Pelo hospital já passaram 25 indivíduos com Covid-19 diagnosticada.

Desafios
Um dos grandes desafios dos leitos de Covid-19 é o isolamento. As equipes que atuam com os pacientes da doença não podem trabalhar com outros pois correm o risco de levar o vírus a quem está precisando de atendimento em outros setores. As camas devem permanecer a no mínimo dois metros de distância, o que limita a criação de novos leitos em alguns hospitais.

A Santa Casa de Rio Preto, por exemplo, por causa do espaço físico escasso, precisou diminuir a quantidade de leitos para as outras patologias durante a pandemia para liberar vagas para os pacientes de coronavírus.

Outro desafio é o custo. Os profissionais de saúde precisam de vários equipamentos de proteção individual, como máscaras, luvas, aventais e óculos, e necessitam trocá-los constantemente. O preço desses itens no mercado subiu bastante - no início da pandemia, estava até difícil de comprar, mesmo com os valores multiplicados. Grande parte dos pacientes que precisa de hospitalização acaba indo para UTI. Os custos diários de um leito de alta complexidade, segundo Valdir Furlan, administrador da Santa Casa de Rio Preto, variam de R$ 3 mil a R$ 3,5 mil, e o SUS paga cerca de R$ 1,6 mil - o restante vem de recursos próprios dos hospitais e de doações. 

Gripe também provoca complicações
Antes do surgimento do novo coronavírus, em 2019, a síndrome respiratória aguda grave (SRAG) já provocava internações e encaminhamentos de pacientes para a UTI. No ano passado, apenas em Rio Preto, dez pacientes morreram de complicações provocadas pela gripe; neste ano, uma pessoa foi vítima da doença. A maioria dessas pessoas tinha indicação de receber a vacina contra a Influenza pela rede pública, mas não havia procurado a imunização.

Em 2020, em meio a uma pandemia, a procura pela vacina contra a gripe continua aquém do esperado. Segundo a Secretaria de Saúde de Rio Preto, a cobertura vacinal na cidade está em 86,2%, abaixo dos 90% preconizados pelo Ministério da Saúde. Na média, apenas os idosos e os profissionais de saúde atingiram a meta. 

A cobertura mais baixa da campanha está entre as puérperas (mulheres que deram à luz há menos de 45 dias), com 34,74%. Em seguida, aparecem as gestantes, com 42,46% e as crianças, com 46,63%. Outro grupo que também tem meta de vacinação é o de adultos de 55 a 59 anos. Até agora, a cobertura vacinal está em 47,56%.

Campanha
A campanha começou no dia 24 de março e segue até o dia 5 de junho. Ao todo, até o último dia 28, 150.437 pessoas haviam sido vacinadas, entre elas 16.442 com doenças crônicas e 207 com deficiência. Em Rio Preto, a vacinação está sendo feita em escolas e equipamentos públicos para evitar as aglomerações nas unidades de saúde. O serviço funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h30. Os locais estão disponíveis no site: www.riopreto.sp.gov.br/mapavacinas. (MG)

Hospitais sem leitos
Na Santa Casa de Barretos, no Hospital das Clínicas de Fernandópolis, na Santa Casa de José Bonifácio e nos Hospitais HB Saúde e Mãe do Divino Amor, ambos de Mirassol, não há leitos para Covid-19. Os pacientes que passam pela emergência com suspeita da doença são encaminhados para outros centros, principalmente o Hospital de Base de Rio Preto.

Pelo complexo Funfarme já passaram 85 pessoas com Covid-19 confirmada. Desse total, apenas 24 eram de Rio Preto. O restante são pacientes de Guapiaçu, Mirassol, Jaci, Nova Granada, Potirendaba, Uchoa, Ipiguá, Ibirá, Monte Aprazível e Onda Verde. Mesmo cidades com UTIs específicas para coronavírus, como Fernandópolis e Olímpia, mandam pacientes para Rio Preto. Os hospitais particulares também atendem pacientes da região. Na Beneficência Portuguesa, por exemplo, já passaram 67 pessoas com Covid-19 confirmada, sendo que nem todas precisaram de internação.

A Funfarme tem a meta de possuir 117 leitos de UTI e 238 de enfermaria apenas para pacientes com Covid-19 suspeita ou confirmada. Nesta sexta-feira, 29, havia um total de 37 pessoas internadas na instituição.

Disseminação
Embora o nível de ocupação esteja seguro no momento, o coronavírus tem um nível muito elevado de disseminação, e a porcentagem de ocupação hospitalar pode subir rapidamente. Uma pessoa transmite para mais três, que por sua vez transmitem para nove, que passam para 27, e assim por diante.

Com a reabertura gradual do comércio, as autoridades de saúde estimam que o número de casos vai aumentar, por isso é importante continuar com todas as medidas de prevenção e higiene.

Jorge Fares, diretor-executivo da Funfarme, comenta que mesmo as cidades pequenas, como Jales, que têm poucos leitos para coronavírus, podem acabar mandando pacientes para Rio Preto se sua capacidade total for atingida. Ele também aponta que a grande diferença desses leitos é o cuidado. "A pessoa não pode estar trabalhando lá e sair para atender paciente fora. É um fluxo diferenciado."

Para a estrutura dedicada à Covid-19, estima Fares, já foram investidos cerca de R$ 15 milhões. Ele ressalta que quando a pandemia terminar os leitos que foram montados não serão desativados, mas sim remanejados para o tratamento de outras doenças.


Fonte: Diário da Região

últimas