ARTIGO

O elemento humano é mais importante que o financeiro ou o técnico

O elemento humano é mais importante que o financeiro ou o técnico

Por Pablo Dávalos

Por Pablo Dávalos

Publicada há 1 semana

Sob todos os aspectos, os recursos humanos e administração de pessoas, são os elementos de maior relevância dentro de toda empresa, sobretudo quando estamos falando em atividades de fabricação de produtos e prestação de bens e serviços. O sucesso de muitas organizações depende essencialmente de gratificações eficazes e incentivos inteligentes para conquistar o melhor de seus colaboradores e assim possam estar dispostos e motivados, não faltarem a seus postos de trabalho, e se preciso for, fazerem aquele esforço a mais com horas extras. A preocupação com inovação e bem-estar físico e mental de todos os envolvidos em uma equipe é a base de tudo.

Gostar daquilo que se faz, e ter a liberdade na empresa onde se trabalha para sugerir ideias e se opor a outras é o que motiva milhões de trabalhadores em Países de primeiro mundo a se desenvolverem cada vez mais. Possuir a liberdade para executar seu trabalho e levar reclamações ou elogios para a alta gerência, ou seja, ser levado em consideração e ser escutado de verdade, é característica de um emprego prazeroso e muito mais produtivo do que aqueles nos quais o trabalhador é simplesmente soterrado de tarefas, visto apenas como um par de braços e mãos, máquina de fazer produtos.

O fato é que a forma como todas as organizações, empresas, ou sociedades limitadas tratam os seus funcionários reflete diretamente na qualidade de sua administração ou gerenciamento. Normalmente, administrações de qualidade resultam em organizações sólidas, aquelas que de fato temos orgulho de pertencer não somente do portão pra dentro e durante o horário de trabalho, mas também quando estamos fora dos muros da mesma e em nossos tempos livres, ou seja, quando temos o sintoma de pertencimento a algo maior, ou quando o trabalho que exercemos é uma extensão de nós mesmos e achamos entusiasmo nisso. Um forte esquema de bom relacionamento com os colaboradores, geralmente deixa clara a existência de executivos, gerentes, coordenadores, supervisores e líderes de setores, perspicazes e que são capazes de usar métodos criativos de gestão empresarial, úteis para conseguir objetivos, metas e lucros superiores, além de políticas que privilegiem a família, bem-estar, recordes de satisfação e relações interpessoais dentro dos diversos departamentos existentes. 

A confiança é a forma mais elevada de motivação da natureza humana. Ela elucida o que há de melhor em relações humanas. Mas exige tempo, paciência, treinamento e aprimoramento de toda uma organização para que as pessoas possam fazer jus, umas às outras de acordo com a confiança depositada entre elas. O desafio ocorre quando algumas pessoas tornam-se tão focadas no egocentrismo e nos inimigos adquiridos na disputa pelo poder, tão obcecadas com o comportamento de outros colegas, e se sentem ameaçadas, a ponto de ficarem cegas para qualquer outra ação benéfica, a ponto de só pensarem em prejudicar o outro, mesmo que isso signifique o prejuízo para elas mesmas ou para a organização na qual trabalham. Adotam para si a filosofia do conflito e a estratégia de guerra, e não sabem mensurar o quanto todos estão perdendo por suas atitudes.

Tentar entender primeiramente, e compreender o próximo é uma mudança profunda e desafiadora para todos nós. Conheci alguns líderes, ou gerentes para falar a verdade, que na maior parte do tempo não tinham a aptidão de conseguir escutar com a atenção necessária para poder compreender. Eram gerentes que apenas ouviam com a única intenção de responder, na maior parte do tempo interrompiam seus subordinados enquanto os mesmos não haviam terminado de expor suas ideias, gerentes que estavam sempre falando ou se preparando para falar, adoravam um palanque nas reuniões, cheios de certezas e grosserias. Gerentes assim, tem a infelicidade de filtrarem tudo o que ouvem através de seus próprios paradigmas, leem sua autobiografia através da vida de seus colaboradores e em todo momento acreditam ter a razão e serem superiores aos demais, pois se escondem atrás do cargo que ocupam. Um erro e não os julgo, pois na maioria das vezes isso acontece com muito de nós mesmos. Estamos sempre ocupados com nossos conceitos e nossas próprias biografias monótonas, querendo sempre ser compreendidos, a ponto de nossas conversas tornar-se monólogos chatos e exaustivos, e quase nunca conseguimos entender o que se passa por dentro da vida ou problema particular, que o nosso colega de trabalho possa estar enfrentando. Mas desejamos bom dia e fingimos ser empáticos.

Acredito que todo funcionário, colaborador, profissional pertencente um vínculo empregatício e que demonstre senso de orgulho, reconhecimento e realização, compromisso com as atividades que executa e sejam bem quistos por tudo aquilo que realizam, irão trabalhar a quantidade de horas que for preciso para conseguir concluir suas tarefas com perfeição. Os meus poucos anos de experiência na área industrial me ensinaram que, quando os resultados finais são positivos, todos aqueles investimentos feitos no início, retornam triplicados. Para que qualquer equipe apresente um bom rendimento, se faz importante e primordial que todas as pessoas envolvidas aprendam a se alimentarem do sucesso uma das outras, apoiando-se mutuamente de diferentes maneiras, reconhecendo fraquezas e fortalezas, apresentando novas ideias e sugestões, criando sinergia positiva, aquela que faz com que você se ofereça por exemplo, para entregar seu cargo em prol a algo maior, ou para participar de uma tarefa coletiva ou até mesmo ajudar um colega com seu desenvolvimento em sua rotina. Embora muitos gestores não o façam, mas a melhor coisa que se pode fazer para seu pessoal, é subir em um pedestal, ligar o microfone e dizer em alto e bom som: “vocês são o patrimônio mais valioso de nossa empresa, muito obrigado por se esforçarem todos os dias como todos tem feito até agora”.


Pablo Dávalos

Engenheiro de Produção

Coordenador Técnico de Produção

MBA em Gestão Industria – FGV (em andamento)

Green Belt e Black Belt Six Sigma

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