ARTIGO

Bastidores

Bastidores

Por Sergio Piva

Por Sergio Piva

Publicada há 3 anos

O mundo e o ser humano estão em constante evolução, não há quem discorde dessa assertiva. Contudo, a evolução tecnológica, as descobertas, os aprendizados e a ascensão do conhecimento ainda não foram capazes de transformar a natureza humana.

Ela permanece idêntica, seja nos indivíduos comuns, em pessoas com muita inteligência ou de grande erudição, até as duas coisas associadamente, mesmo após séculos de caminhada na história da humanidade. 

O ser humano age e se comporta da mesma maneira desde sua homosapiensia, se não antes, como sempre contou posteriormente a história, quando os acontecimentos ocorridos no passado vieram à tona tempos depois, por qualquer que tenha sido o meio ou a motivação, quase sempre impulsionada por outras ações humanas.

A autêntica História, habitual e perpetuamente, acontece nos bastidores. Os fatos veiculados oficialmente vêm impregnados de interesses, motivações escusas e justificativas esculpidas artificialmente, sustentadas em falsas premissas de manipulação pelo bem do coletivo.   

Se a escrita é capaz de registrar a pseudoveracidade da História e das histórias divulgadas oficial ou intencionalmente, muito mais danosa é a palavra falada que, no seu caminho devastador, encobre com manto negro, às vezes vermelho sangue, a autoria da narrativa. 

A criação não se basta, é preciso que a criatura ande, que transmita e retransmita a informação desejada. Como Frankenstein, construído de partes juntadas, a criatura costurada com a linha da ignorância necessita se locomover e causar o terror que petrifica o corpo e congela a consciência. 

Se, à época da pena e das bocas asquerosas, a criatura caminhava devagar e retardava em causar estragos, nos dias dos multimeios de comunicação e das semelhantes línguas infestas, a destruição é demais ligeira e assaz devastadora.

A manipulação da informação é aço nas mãos sujas dos forjadores das espadas, cujas lâminas dividem os corpos ingênuos das multidões, cortando as artérias de onde jorra a histeria coletiva. Ou apenas perfurando a carne, causando perecimento tardio, por ferimento interno, onde as artérias jorram medo ou indiferença. 

“Não existe opinião pública, existe opinião publicada”, afirmou Sir Winston Churchill. As estratégias já foram reveladas por Noam Chomsky, principalmente com relação ao método de criar problemas para depois oferecer soluções.

Nas farsas encenadas em palcos construídos de madeira peroba, os atores seguem encenando o texto concebido, com coadjuvantes perambulando feito monstros e protagonistas grasnando como abutres, enquanto a plateia, respirando o ar rarefeito, observa atônita dos acentos da ignorância. 

O pior da ignorância não é ausência do saber, muito mais o de ignorar o que não se conhece e não querer conhecer o que não se sabe. Quanto mais palavras são jogadas ao vento, mais difícil fica separar o oxigênio do gás carbônico.

Se pudesse fabricar um conselho, decretaria assinando com digital alheia, sem remuneração aparente, no aconchego de relevantes serviços prestados, parafraseando e dissimulando a paternidade como engendram os covardes, diria que a vida é um teatro, mas a história acontece na coxia.




Sergio Piva

s.piva@hotmail.com



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