CRIAR PARA VIVE

“Terapia artesanal”: uma forma de vencer a depressão

“Terapia artesanal”: uma forma de vencer a depressão

Entrevista especial com Marcos Roberto - 'Criar para viver melhor!'

Entrevista especial com Marcos Roberto - 'Criar para viver melhor!'

Publicada há 2 anos



Por Breno Guarnieri


Algumas atividades simples do dia a dia possuem grande potencial terapêutico, nos ajudando anos sentirmos e a nos tornarmos melhores. Criar algo com as próprias mãos é a possibilidade de concretizar, de expressar, dar vazão à nossa criatividade. Há pouco tempo, a pintura em telhas ganhou espaço na vida do cantor e artesão Marcos Roberto dos Santos, 39 anos, morador do Jardim Paulistano, zona norte de Fernandópolis. Com a proximidade do Dia Mundial da Saúde Mental (10 de Outubro), Marcos recebeu a Reportagem de “O Extra.net”, em sua casa, e com a praticidade dos dias atuais, nos mostrou um pouco de sua habilidade artesanal, e, principalmente, como mediante a ela supera a cada dia a depressão.  


O EXTRA: Há quanto tempo você trabalha com artesanato? Como aprendeu a fazer?

MARCOS: Eu comecei a mexer com artesanato há seis meses em um momento difícil da minha vida. Estava com depressão profunda, fobia de pessoas, causada em razão da minha profissão como vendedor. Fui vendedor há 19 anos e meio. Hoje estou afastado. Já há um bom tempo eu faço consulta com a psicóloga Alessandra Barbosa Segundo, no Centro Integrado, localizado na região central da cidade. Em uma consulta, analisando meu caso, ela me sugeriu alguma atividade como terapia ocupacional. Foi aí que comecei a procurar algo na internet e descobri a pintura em telhas. Depois de muita pesquisa, comecei a desenvolver o meu próprio processo de criação, ou seja, meu estilo.


 


O EXTRA: A pintura em telhas ajudou a superar a depressão?

MARCOS: Está ajudando. Hoje em dia estou bem melhor, perdendo a fobia.   Atualmente, é uma das minhas fontes de renda, na qual tenho contato com o público, que além de admirar o trabalho, muitas vezes também resgata na memória das pessoas um tempo em que viveram, onde existiam valores de simplicidade, hospitalidade e saudades. Romper padrões de comportamento não é uma tarefa fácil. Mas quando a perspectiva de uma vida melhor está em jogo o desafio deve ser encarado. No começo não expunha o meu trabalho para as pessoas, somente para familiares. Há três semanas exponho as telhas defronte a minha casa, o que tem chamado a atenção de várias pessoas, que param para tirar fotos e comprar. Isso me deixa muito feliz, com a autoestima em alta.


O EXTRA: O que a atividade representa na sua vida? Quais materiais você utiliza?

MARCOS: Nossa, atualmente, representa muitas coisas. Quando fazemos algo com amor tudo dá certo. Quero transformar a atividade em profissão. Viver disso. Estou apaixonado pelo o que faço, pois você liberta a sua mente para criar. As pessoas me pedem determinado desenho. Eu não garanto que ficará como a pessoa pediu, mas, depois de eu passar a base (limpar e pintar de branco), minha criatividade aflora e o resultado final sempre agrada a quem encomendou. Uma característica legal do meu trabalho é que somente uso resto de construções, ou seja, telhas que não terão mais utilidade. Pego elas e consigo recuperá-las, dando vida ao artesanato.


O EXTRA: Qual é a sua maior dificuldade como artesão? Quais são suas fontes de inspiração?

MARCOS: É a fobia, mas como já disse, a cada dia estou melhor. Ainda tenho receio de oferecer o material para as pessoas e elas rejeitarem. O apoio da psicóloga Alessandra associado ao meu trabalho está me deixando cada vez mais seguro. Uma combinação fundamental. As minhas inspirações vão desde a vida do campo, com suas casas, igrejas e sua gente simples a temas religiosos. Assim é o artesanato: um exercício de transformação, a união das tintas, que quanto mais líquidas, mais nos ajudam a lidar com a necessidade de controle dentro de nós. Talvez aí esteja uma atividade importante para exercitarmos a possibilidade de lidar com o imprevisível, com o novo que nasce na junção das cores, das texturas. O que a pessoa pedir, eu procuro me dedicar ao máximo para desenvolver um bom trabalho e agradar o cliente (risos...).


O EXTRA: Caso você pudesse dar um conselho, o que diria pra quem planeja fazer o que você faz?

MARCOS: Ainda não conheço quem faça esta atividade em Fernandópolis. Não é um conselho que vou dar, mas é uma dica: se você sabe fazer alguma coisa, não perca tempo! Elabore, crie uma meta e não faça só porque precisa de dinheiro. Tenha também comprometimento, disciplina e organização. Faça por amor! Você vai ter ideia das proporções que coisas feitas com amor podem tomar.

 



Serviço:

Quem quiser entrar em contato com Marcos e saber mais sobre o seu trabalho, o endereço fica na Rua Luiz Moreti, nº 413, Jardim Paulistano. Fone para contato: (17) 99756-1752.

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