domingo, 19 de novembro de 2017
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29/08/2017 15:22
Edição 3118

O CRAVO DESPEDAÇADO

Por Isabela Zarda 



“Você diz que ama a chuva, mas você abre seu guarda-chuva quando chove. Você diz que ama o sol, mas você procura um ponto de sombra quando o sol brilha. Você diz que ama o vento, mas você fecha as janelas quando o vento sopra. É por isso que eu tenho medo. Você também diz que me ama...” William Shakespeare




Do banco da praça, aprecio o jardim. Tão bonito e colorido, todas as espécies de pássaros parecem morar ali. Mas, do outro lado dele, está um velho, que também aprecia o jardim. Um homem, cujos cabelos estão preenchidos com a cor da paz, mostrava a tranquilidade de alguém que descobriu a fórmula do viver.

Eu o observava, acompanhando cada detalhe seu, e foi quando percebi que com seus passos lentos aproximava-se de mim. Sentou-se trazendo uma áurea boa que acalmou a minha alma. Olhei para as suas mãos já bem enrugadas, que carregavam marcas de muitas histórias, quando ele as apoiou em meu ombro num gesto amigo, dizendo:

— Como é lindo esse jardim, não é, filha?

Eu sem jeito, apenas fui sincera:

— Eu nunca me canso de vir até aqui. Gosto de sentir a brisa, que traz o cheiro das mais belas flores!

— Sim, e quantas vezes, aqui deste mesmo banco, eu ouvia uma linda canção, que dizia “Entrei no jardim das flores, apanhei Rosa Maria, Roselina e Roseli era a flor que me queria, ainda deixei a Rosa, que chorando me pedia: ‘ Quando entrou no meu jardim, você era só pra mim e eu te esperava todo dia’...”

— Eu nunca vi rosas nesse jardim...

— Ah, você pode não ter visto, mas nesse jardim, já houve muitas rosas. Dentre elas tinha uma que mais se destacava, ainda posso sentir o doce perfume que exalava e lembro-me muito bem do vermelho vivo de suas pétalas.

— O senhor levou-a embora?

— Embrulhei-a em meus braços e transportei-a com cuidado para o meu mundo. Assim, regava-a sempre, eu a dava luz, sombra, dava-lhe muito carinho, plantei-a no jardim do meu coração.

— Meu senhor, mas onde se encontra essa mais bela flor agora?

— Ah, menina, se eu lhe contar, não acredita! Essa rosa usou do seu espinho e deixou-me despedaçado, eu lhe jurei amor eterno e ela partiu, deixando marcas profundas de suas raízes no meu jardim.

— E o senhor lembra qual o nome dessa rosa?

— Não tem como esquecer, foram os meus melhores dias, sonhei e a fiz sonhar, cuidei dela com meu mais profundo amor, o seu nome é mulher amada, amei-a na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, e agora ainda a amo na dor.

*


ISABELA ZARDA, CURSANDO O PRIMEIRO ANO DO ENSINO MÉDIO, É VENCEDORA DO CONCURSO DE REDAÇÃO TV TEM 2016