quarta, 13 de dezembro de 2017
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14/11/2017 09:10
Edição 3171

Jovem morta após combinar carona pode ter sigilo telefônico quebrado

Parentes alegam que ainda há dúvidas sobre inquérito

Da Redação 


A família da jovem Kelly Cadamuro, de 22 anos, que foi morta após uma carona combinada pelo WhatsApp, não ficou satisfeita e questiona o inquérito feito pela Polícia Civil de Frutal (MG) sobre o assassinato.


A Polícia Civil teria 30 dias para concluir o inquérito, mas indiciou J.P.P., de 33 anos, a latrocínio, ocultação de cadáver e estupro, na semana passada.


A família acha que alguns pontos não ficaram esclarecidos, como a mulher que teria combinado carona com ela junto com o suspeito, mas que não apareceu.

De acordo com a família, houve também uma ligação feita do celular da Kelly depois do assassinato sem identificação. Por isso, a família deve pedir a quebra do sigilo telefônico de Kelly ao Ministério Público.


“Foi solicitado para o delegado a quebra do sigilo, como ele concluiu o inquérito não sabemos se ele pediu ou não. Não sabemos se ele tinha pedido para o juiz, e isso foi ou não deferido. Se não houve o pedido, vamos solicitar junto ao Ministério Público”, afirma o advogado, Jorge Argemiro de Souza Filho.


Ainda conforme o advogado, a família acha que o fim do inquérito foi precipitado e prematuro.


“Não que o inquérito não esteja bem formulado, mas para a família ficou algumas vacâncias - perguntas sem respostas. Isso é uma insatisfação da família mesmo”, afirma o advogado.


Sobre a busca pela suposta mulher, a polícia de Minas Gerais alega que não houve ligação, mas sim conversas pelo aplicativo, e que J.P.P. teria se passado por mulher para convencer a jovem a dar a carona.


O advogado disse também que a família vai contratar um perito para analisar as imagens do pedágio, que flagra o carro de Kelly indo para Itapagipe (MG).

Para a família, poderia haver uma terceira pessoa dentro do carro, antes da morte de Kelly. A polícia de Minas Gerais acredita que o crime já esteja solucionado.


O caso

A radiologista Kelly Cadamuro foi dada como desaparecida no dia 1º de novembro depois que saiu de São José do Rio Preto com destino a Itapagipe (MG) para encontrar com o namorado.


Ela estava acompanhada por um homem que aceitou a carona oferecida por ela em um grupo de WhatsApp.


O corpo da jovem foi encontrado em um córrego entre Itapagipe e Frutal, no dia 2 de novembro, sem a calça e com a cabeça mergulhada na água.


No mesmo dia, J.P.P. foi preso e confessou a autoria do crime. De acordo com a Polícia Civil, ele disse que combinou a carona com a intenção de roubar o veículo, mas negou ter cometido qualquer violência sexual contra a vítima.


Na versão dele, a calça da jovem saiu do corpo enquanto a vítima era arrastada do carro até o córrego.


Na quarta-feira (8), o suspeito participou da reconstituição do crime feita pela polícia. Na quinta-feira (9), o laudo de necropsia confirmou o que o atestado de óbito havia informado na noite do dia 2 de novembro: Kelly foi morta por asfixia e estrangulamento.


As investigações da Polícia Civil apontam que a jovem morreu após ter as mãos e pescoço amarrados por uma corda e ser arrastada por cerca de 30 metros.

 

 

Reconstituição do crime realizada em Frutal, Minas Gerais