quarta, 24 de janeiro de 2018
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16/12/2017 11:51

Formando cidadãos melhores por meio da arte marcial

Projeto voluntário oferece treinos de judô e jiu-jítsu para crianças carentes de Fernandópolis

Livia Caldeira 


Entrar em forma, fazer amizades, desenvolver o autocontrole e disciplina, extravasar tensões... Quem pratica uma arte marcial busca bem mais do que aperfeiçoar-se na defesa pessoal. A modalidade tem como objetivo fortalecer o físico, a mente e o espírito de forma integrada.


Buscando a inclusão social de crianças em situação de vulnerabilidade social por meio do esporte e com o intuito de ensinar valores como disciplina, respeito e companheirismo, nasceu em 2012 o projeto “Cristo- jítsu”. A iniciativa faz parte de um trabalho social realizado pela igreja “Projeto Amar” e oferece treinos gratuitos de judô e jiu-jítsu para crianças carentes do município de Fernandópolis.


Graças à dedicação e ao trabalho voluntário dos professores Flávio Morilha Gonçalves e Tiago Landim, o projeto já atendeu e mudou a vida de mais de 500 crianças ao longo desses seis anos.


 “Nosso primeiro propósito é tirar essas crianças de uma situação de risco. Além disso eles aprendem cidadania, treinam a concentração e se divertem”, destaca o pastor e professor do projeto, Flávio Gonçalves. Segundo ele, não existe arte marcial sem respeito ao próximo e disciplina, valores que contribuem para gerar atitudes melhores diante dos problemas e desafios da vida. Ele explica que o objetivo não é transformar os alunos em lutadores, mas em cidadãos melhores e que a atuação do projeto não se limita às aulas no tatame. “As crianças trazem os boletins escolares para nos mostrar e assim criamos com elas um vínculo maior, fazemos parte da vida de cada um deles como um todo. Tentamos entender os problemas pelos quais estão passando e assim poder ajudar”.


MUDANDO VIDAS

O treinador conta que o trabalho voluntário já ofereceu inúmeros benefícios aos alunos que vão além do esporte. “Uma vez identificamos que uma criança estava precisando de passar por uma cirurgia. Devido ao trabalho de todos os voluntários conseguimos mobilizar médicos e hospital para a realização do procedimento”, relembra. “Tivemos também o caso de um aluno que estava ficando cego e não tinha condições financeiras de fazer o tratamento e conseguimos ajudar a família a resolver o problema”, conta.


Para Flávio, saber que um projeto como este pode mudar a realidade de vida de dezenas de crianças não tem preço. “Recentemente soube que um ex-aluno nosso está cursando a faculdade de Engenharia Civil e hoje nos ajuda como voluntário. Histórias como essas nos gratificam e dão sentido ao nosso trabalho”.




 Projeto “Cristo- jítsu” existe há 6 anos e já atendeu mais de 500 crianças e adolescentes