quarta, 24 de janeiro de 2018
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22/12/2017 06:30

NUNCA VOU ME ESQUECER DO NATAL DE 1975

Por Claudinei Cabreira


O tempo passa, o tempo voa e aqui estamos nós diante de mais um final de ano. E que tal nesta véspera de Natal, um caprichado mergulho no “Túnel do Tempo”? Será que você ainda se lembra dos Natais de antigamente? Eram muito divertidos e bem diferentes dos que vivemos e vemos nos dias atuais.


Recuando no tempo,  lembro que o comércio de Fernandópolis começou abrir a noite no início da década de 1.970. Naquela época a decoração era bem simples, com cordões de luzes coloridas formando um zigue-zague nas principais ruas do centro da cidade, A população gostou tanto da novidade que as ruas ficavam apinhadas de gente. E nos dias que antecediam o Natal, a moçada aproveitava as noites para passear como nos bons tempos do “footing” dos anos sessenta. Eram noites mágicas, encantadas!


Outra boa recordação que trago bem gravada foi da véspera do Natal de 1975, no auge da minha mocidade. Lá se vão quarenta e dois anos e lembro muito bem que os grupos  de amigos se reuniam e a ceia era feita sempre na casa de alguém da turma, onde acontecia a tão esperada troca de presentes de “amigo secreto” e também havia troca de presentes entre os casais de namorados. Esses encontros eram sempre animados com muita música, dança e algumas bebidinhas. Eram os tempos do yê-yê-yê e o crepúsculo da Jovem guarda. Mesmo assim, ganhar o “LP de Natal” do Roberto Carlos  de 1975, “Quiero Verte a Mi Lado”, com dez faixas cantadas em espanhol, era o sonho da maioria das mocinhas daqueles tempos incríveis e maravilhosos.


E nessas festinhas entre amigos, tudo era na base do “racha” e sempre muito bem organizado. Todo mundo colaborava como podia. Elas providenciavam os pratos da ceia, as frutas e o famoso ponche. Os rapazes ficavam encarregados de providenciar o som e as bebidas: Martini, Cinzano, cuba-libre, vinho, e é claro, o champanhe...  o famoso espumante Sidra Cerezer! E depois, bem animados, lá íamos nós para a via-sacra, pelas outras festas, emendando a noite em memoráveis serestas, alguns de nós, “três coqueirinhos prá lá de Bagdá!”. E que saudade das memoráveis serenatas! Elas sempre eram esperadas pelas mocinhas, como momentos mágicos, de sonhos. E todas as serestas eram pra lá de caprichadas, com o repertório mesclado por músicas românticas e natalinas escolhidas a dedo!


O Natal de 1975 foi muito marcante para mim. Naquela época eu morava em São Paulo e passava minhas férias em Fernandópolis. Fiquei com meus familiares até por volta de umas 9 da noite e depois fui encontrar com a namorada e com meu grupo de amigos. Logo depois da meia noite e da troca de presentes fui levar a namorada até sua casa, e claro, voltei para a gandaia. Eu e meus amigos havíamos prometido fazer serenata para as namoradas e algumas amigas. Não é preciso dizer que nesse dia cheguei cedo lá em casa, as 5 da manhã. E claro, morto de cansado e com umas a mais na moleira, fui dormir. Afinal, ninguém é de ferro!

E exatamente por conta disso, que aquele Natal foi marcante. Calma que eu explico. Nossa família, mais os tios, tias, primos e primas que moravam aqui na cidade, havia combinado de passar o dia de Natal no sítio do nosso avô Ricieri Tarlau, lá em Pedranópolis. E o pessoal partiu aí pelas oito horas da manhã. Eu e meus dois irmãos mais novos, o Alemão e o Peninha (que também chegaram cedo) não conseguimos acordar e ficamos na mão, como se dizia, a ver navios.


Aí o jeito foi improvisar um macarrão, que na verdade virou um grude. Fazer o que numa situação dessas? O jeito foi rir e rir muito. E aí um dizia, me passa a leitoa, outro retrucava dizendo que preferia uma coxa de perú, acompanhada de uma taça de champagne. Claro que não havia nada disso. Mas quer saber? Até que foi bem divertido aquele Natal. Inesquecível mesmo!


Bons tempos aqueles! Então, Feliz Natal e um ótimo Ano Novo, pra você e toda sua família.  E como a gente costumava dizer: muita sorte,  muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender. Semana que vem tem mais, Até lá!