quarta, 24 de janeiro de 2018
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24/12/2017 06:32

O amigão do Perú

Por Claudinei Cabreira


O saudoso radialista Alcides Corsini, o lendário  Perú era uma figura e tanto. Coração do tamanho do mundo, humanista de nascença e grande amante da natureza, um belo dia, sem avisar, pegou a mala e foi embora  para o andar de cima antes do combinado, À seu respeito, existem muitas lendas, e em homenagem a memória e nossa boa amizade, vou contar uma passagem. Perú era o cara, então, como se diz, reza a lenda que era véspera do Natal, se não me falha a memória, de 2002 e uma turma de amigos estava reunida em um rancho no condomínio Lagoa Azul, na região de Mira Estrela, onde ele também tinha um rancho. Prepara uma coisa, prepara outra, até que surgiu um problema: ninguém tinha peito e nem coragem de matar o peru para a ceia. Também ninguém sabe quem foi o jerico, que teve a luminosa ideia de levar o bicho vivo para o rancho.


E aí se estabeleceu a discussão: “Tá certo que é um peru caipira, etc e tal. Mas e agora? Quem é que vai matar o bicho?” Um dizia que não sabia como fazer a coisa do jeito certo; outro explicava que não podia ver sangue; um terceiro disse que tava com dó do bichinho, amarrado no quintal e que até já havia feito amizade com a criançada! Já viu, né? Pela frente um dilema e tanto!


Dizem que foi aí que apareceu o Corsini, que naquela tarde estava fazendo via-sacra pelos ranchos da vizinhança e que já estava bem animadão. Contaram pra ele o tal do dilema e o Perú não se fez de rogado: e solícito como sempre, disparou na lata: ”Deixa comigo. Eu mato, limpo, tempero e asso o peru! Sou especialista nisso!”

Pediu um facão, um garrafão de pinga e começou embebedar o bicho. Inclusive ia sacrificar o bípede ali mesmo. Mas por causa das crianças, pediram que ele fizesse o serviço na beira do rio, atrás de uma grande moita de bambú. E lá foi ele, com o peru, o facão e o garrafão da “marvada”...


Passa meia hora e nada. Entra hora e sai hora, nada do Corsini voltar com o peru. Preocupado, um grupo de amigos  decidiu ir até a tal moita de bambú para ver o que é que estava acontecendo. E lá estava o Corsini, abraçado com o Perú, garrafão vazio, o facão na mão...e o coitado do Peru, três coqueirinhos prá lá de Bagdá...”gluglu-hic-glu-glu-glu-hic...”


E o Corsini conversando com o bicho: ”Fica frio, relaxa, fica gels meu amiguinho! Se alguém relar a mão em você, eu meto o facão!”