quarta, 24 de janeiro de 2018
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29/12/2017 07:20
Edição 3201

Adeus Ano Velho, feliz Ano Novo

Por Claudinei Cabreira


Pensando bem, os Reveillons de antigamente eram bem mais movimentados e animados do que hoje em dia. Lembro bem que lá por volta do final dos anos sessenta, eu e meus amigos nos organizávamos em um animado bloco para passar a noite da virada festejando e bebemorando juntos. Eram tempos felizes.


Primeiro passávamos pelo ritual da ceia que era cheia de simpatias a começar pela escolha da cor da roupa. A maioria do pessoal preferia roupa branca, porque havia a crença que usando essa cor teríamos um ano novo repleto de paz e serenidade. Mas para garantir um ano de tranquilidade financeira e muito dinheiro no bolso, o uso de roupa íntima sempre era da cor amarela.


Já as moçoilas enamoradas preferiam a cor rosa porque segundo a lenda, garantia um ano de felicidade no amor. As solteiras preferiam a cor vermelha para ter 12 meses de muita paixão, força e energia. Algumas mais otimistas e avaçadinhas, garantiam que bastava pintar as unhas com esmalte dessa cor para obter o resultado desejado.


Outra cor bastante popularizada entre a moçada daqueles tempos era o laranja, porque havia a crença que atraía sucesso monetário, ajudava nas conquistas pessoais e profissionais. Então era a cor certa para ser usada na noite da virada por aqueles que estavam à espera de uma promoção ou procurando emprego. E havia também outras cores como o verde, o azul e violeta, cada uma destinada para uma finalidade. Naquele tempo, o povo tinha tempo!


Havia também a crença de que, quem estava à procura da sua cara metade, a melhor simpatia era usar roupa íntima nova na noite de Reveillon. Ou ainda escrever o nome da pessoa pretendida, sete vezes na sola do sapato esquerdo e a meia noite bater o pé sete vezes no chão, repetindo sete vezes o nome da pessoa desejada. Eram tempos inocentes.


Mas a lista de simpatias para a noite da virada não para por aí. Para que o Ano Novo fosse próspero, era preciso decorar a mesa da ceia com ramos de trigo. E ninguém se esquecia da famosa sopa de lentilhas. Ao badalar da meia noite, as pessoas subiam em uma cadeira e comiam três boas colheradas da sopa e a cada uma delas, mentalizavam um pedido. No entanto, a mais tradicional das simpatias, que muita gente faz até hoje é com as sementes de romã. As pessoas comem uma romã na noite de 31 de dezembro e guardam sete sementes na carteira, até a próxima passagem do ano. Se essas simpatias vão adiantar, ninguém garante, mas não custa nada tentar, não é mesmo?


Logo após a passagem do ano, depois dos cumprimentos aos familiares e amigos, a moçada mais nova se mandava em direção ao antigo FEC – Fernandópolis Esporte Clube, que ficava na Rua Rio de Janeiro, defronte a agência do Banco do Brasil, onde acontecia todos os anos o tradicional Baile de Reveillon, sempre animado por grandes bandas. Na nossa juventude a gente chegava em casa com o raiar do sol!


Anos mais tarde, na década de 70, a tradição dos grandes bailes da virada se transferiu para a Casa de Portugal, o famoso “Clube da Colina”, comandado na época pelo saudoso empresário Mario de Matos. Quanta saudade! Bons tempos aqueles!  E por falar em saudade, adeus ano velho. Não tenho um pingo de saudade dos últimos três anos. Que venha o Ano Novo! Então, desejo ao amigo leitor aos seus familiares e amigos, um Feliz 2018, com muitas alegrias, realizações, muito dinheiro no bolso e saúde prá dar e vender. Semana que vem tem mais. Até lá.