sábado, 24 de fevereiro de 2018
área do assinante
29/01/2018 08:59

O novo /velho jeito de fazer política II

Por Jacqueline Ruiz Paggioro - Professora

A prisão de Paulo Maluf é uma ranhura no velho jeito de fazer política: “o rouba mas faz”. Escolhi essa palavra – com tantos adjetivos de nossa rica língua e no meu entender um tanto esquisita – porque creio que ela seja emblemática. No vernáculo, ranhura pode significar tanto rachadura quanto encaixe.


Para alguns pode parecer, ingenuamente, que o país está mudando, que não cabe mais no ideário tupiniquim o lema da velha política. Para outros, mais precavidos, ela serve para ser um “cala boca” no que está por vir.


O clamor dos batedores de panela – massa de manobra para o golpe – é emblemático. Idealizado por  oportunistas e, encampado pelos setores da direita (sim ainda uso esse termo que para alguns é obsoleto), colocou as pessoas nas ruas para dar um basta na corrupção, por um Brasil melhor. Melhor para quê, para quem? Porque quem está pagando o pato (e não é só aquele da Fiesp)  continua sendo o povão !


No âmbito nacional, a maioria dos legisladores e dos ministros do governo pós impeachment, inclusive o presidente em exercício, está envolvida em escândalos de corrupção e outros ilícitos. As denúncias foram rejeitadas, claro que tudo na mais perfeita sintonia do velho jeito de fazer política, o “toma lá da cá”: vote com o governo que receberão verbas e cargos (ninguém foi para rua bater panela?!).


Nomeiam ministros, diretores e presidentes de estatais - todos indicados pelos caciques da velha política. O caso mais recente é o Ministério do Trabalho que está em peleja com o Supremo Tribunal Federal. Cadê o povo reclamando, protestando????


Aumento de tarifas, de alíquotas de imposto, diminuição de verbas e congelamento de investimentos (cadê as panelas entoadas nas sacadas gourmet???). Reforma trabalhista e da previdência. Nada de paneleiros, a onda agora são as redes sociais. Parece que no planalto eles não têm “face” ou “zap” – isso só funciona em nível local. É que eles aguardam a tal memória curta do eleitorado para a próxima campanha.


Sofremos confisco cotidiano para bancar o Estado brasileiro e garantir suas mordomias e maracutaias infinitas para perpetuar a roubalheira – prendem uns para exemplo, mas deixam uma corja inteira solta e impune – e de quebra recebemos: rebeliões em presídios dominados pelo crime organizado, violência, criminalidade, desemprego, hospitais sucateados, escolas que não ensinam e por ai vai ....


Li um texto da escritora Nathalí Macedo no Diário do Centro do Mundo que discorre sobre o congelamento de gastos da PEC 55 e que representa minha  indignação com tudo o que está acontecendo. Elagostaria de dizer “‘bem feito, pobre de direita’ para o primo Bolsominion – que pensa que é rico só porque tem piscina – mas estaria dizendo ‘bem feito’ também para a sobrinha de quatro anos que talvez viva num país melhor aos vinte e quatro, ouaos pais, que talvezmorram sem terem conseguido se aposentar. Estaria dizendo ‘bem feito’ para ela mesma e para todos seus irmãos de pátria, absolutamente todos: coxas, petralhas, anarcos e isentões.


A verdade, continua ela, é que o silêncio das panelas é ensurdecedor. É um recado cruel, de tão claro: osbatedores, não dão a mínima para o Brasil e, assim como aqueles que nos representam, não se importamcom o que aconteça no porvir, desde que sigamcom esse sentimento de vitória e com a ilusão de que  tiraram a presidenta desgraçada do lugar onde a democracia a colocou,  preferindo o covarde silêncio ou a insistência patética na ideia de que  o Brasil ficará a salvo do estrago feito pelo partido que inventou a corrupção – “fora petê!!!” – à confissão impensável de que foram massa de manobra para um golpe.


A segunda verdade, continua, é que não há nada que combine mais com a direita antipetista do que esse silêncio covarde. Foi por covardia que foram às ruas. Foi pelo medo que sempre tiveram do dia em que o povo se levantasse pelos seus direitos pra cobrar os atrasados (chamam isso de ataque comunista), pelo medo – com o qual talvez nunca consigam lidar – de perderem seus privilégios.


Qual a sensação de ver o país se afundando no lodo do ilegítimo que (pensam) puseram na presidência? Por que suas panelas importadas estão em silêncio diante destes vinte anos de “gastos” congelados e nem uma palavra sobre a taxação das grandes fortunas? O que, afinal, vocês têm a dizer sobre a lista da Odebretch?Nós queremos desesperadamente – talvez num ato de fraqueza – acreditar que vocês fizeram o que fizeram por ignorância. Com todo esse silêncio, fica parecendo que foi por puro ódio de classe.


Agora elegeram um novo mito: o “imparcial” juiz herói, que salvará a pátria.

Precisa de dizer algo mais?