sábado, 24 de fevereiro de 2018
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05/02/2018 09:23

Saudades do Matão

Por Chico Piranha


Dia desses, lembrando de algumas histórias das brabas contadas por conhecidos pescadores, caçadores e outros mentirosos, o nosso amigo Alemão Eletricista,  contou numa rodinha de amigos, que quando era mocinho, havia cansado de ouvir a música “Saudades do Matão”. E explicava; “é uma música muito agoniada, de tão triste, chega dar “gastura” na gente....”

E contou que um dia resolveu dar um chá de sumiço novelho disco. Foi pescar na Cachoeira de São Roberto, ali pelas bandas de Pontes Gestale levou o tal disco de vinil junto com a tralha. Chegando lá, quebrou o danado num tronco de árvore, juntou os cacos e jogou tudo no rio; pronto, missão cumprida!

Dois anos e pouco depois, olha ele pescando de novo no mesmo lugar. Noite caindo silenciosa, vento soprando de leve, coruja piando... e de repente, ele escuta: neste mundo eu choro....neste mundo eu choro...

Como o povo daquela região dizia que o lugar era prá lá de mal assombrado, logo ele achou que aquilo só podia ser o lamento de alguma alma penada, perdida por aquelas bandas. Sentiu um calafrio na espinha, o corpo arrepiar inteiro e os cabelos ficar em pé...  enquanto isso, aquela voz cavernosa e agoniada continuava: neste mundo eu choro... neste mundo eu choro...

Aos poucos foi criando coragem, juntou a cartucheira e resolveu investigar de onde vinha o misterioso lamento. Foi e viu. Um casco de disco quebrado, sendo levado num pequeno redemoinho d’água, que tocava de leve num espinho de um galho de arranha-gato e... neste mundo eu choro... neste mundo eu choro...