domingo, 25 de fevereiro de 2018
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11/02/2018 14:12

'Emoção única', relata folião que desfilou na capital mundial do Carnaval

O professor universitário Marcelo Matos conta sua experiência na escola de samba carioca ‘Mocidade de Padre Miguel’


Livia Caldeira / Marcela Barbar


Carnaval, período de quebra do convencional e da ordem costumeira, coloca, por alguns dias, as coisas de pernas para o ar. A data é uma oportunidade de viver experiências ligadas a forças espirituais mais primitivas, aquelas que estão por aí, mas mantemos, geralmente, sob forte controle. Apesar de ser comemorado em cidades e vilas por todo o Brasil e outros países católicos, o Rio de Janeiro é considerado a capital mundial do Carnaval. A cidade não é apenas palco do maior Carnaval do mundo, mas também um ponto de referência contra o qual todos os outros são comparados. A festa carioca é considerada atualmente um dos mais interessantes eventos artísticos do Planeta. Marcelo Matos, ator e professor de jornalismo na Fundação Educacional de Fernandópolis, pode sentir um pouco da magia do sambódromo. Para ele, a data representa um momento único de alegria. “Vi na avenida pessoas humildes se transformando em Reis. Mesmo que essa magia seja somente algumas horas, lá, na avenida, não tem rico, pobre, gordo, magro, alto, baixo... Todos são iguais. Pessoas felizes compartilhando amor”. Em entrevista ao “O Extra.net”, ele conta como foi a emoção de ser um dos milhares de foliões fazendo festa no sambódromo. 


O EXTRA: O que o Carnaval representa pra você?

MARCELO: O carnaval representa muita coisa para mim, todas boas. A melhor delas é minhas lembranças das marchinhas nos clubes e como me divertia. Enfim, alegria.


O EXTRA: Conte como foi a aventura de ir comemorar a data no Rio de Janeiro? Para qual escola desfilou?


MARCELO: No Rio de Janeiro foi uma verdadeira odisseia que poucos iam topar. A escola ia desfilar às 23hrs na Sapucaí. 9hrs eu estava em São José do Rio Preto e recebi a mensagem de uma desistência e se eu quisesse poderia desfilar. Topei na hora. Peguei o carro e fui para Campinas. 17hrs peguei um vôo para o Rio de Janeiro. Deu problema na escala e cheguei no aeroporto do RJ meia hora antes da escola sair. Peguei um táxi que me deixou três quadras de lá por causa do trânsito.  Corri e me troquei no meio da ala. Aí você me pergunta: valeu a pena? Faria tudo de novo? Foi maravilhoso. Somos Reis na avenida. A sensação é única.  Desfilei pela Mocidade de Padre Miguel.


O EXTRA: Em qual ala você desfilou e qual era a sua fantasia? Foi você que escolheu a ala?

MARCELO: No Rio de Janeiro desfilei na ala do lápis de cor. Minha fantasia era de lápis, das minhas costas saia grandes lápis de todas as cores. A gente que escolhe a ala sim, tanto pela fantasia como pelo preço.


O EXTRA : A fantasia era pesada?

MARCELO: A fantasia, na avenida, perde todo o peso. Você esquece.  Só tem que tomar cuidado para nada cair na hora de sambar senão a escola perde pontos.


O EXTRA: Demorou quanto tempo pra ficar pronta?

MARCELO: Pegamos a fantasia na hora, mas tem detalhes que acabam até na véspera. A indústria do carnaval no RJ é impressionante. Na quarta-feira de cinzas já começam a organizar o do ano seguinte.

O EXTRA: Quantas pessoas desfilaram com você na sua ala?

MARCELO: Os números são assombrosos. Em média quase uma cidade pequena. São 2 mil integrantes por escola e alas com mais de cem.



O EXTRA: Como eram os ensaios?

MARCELO: Os ensaios ficam mais em decorar e cantar o samba enredo. Isso conta pontos. Na hora tem o responsável pela ala que te posiciona e temos que sambar e ir progredindo juntos. Como somos de fora não ensaiamos, mas a maioria dos integrantes ensaiam meses antes dos desfiles. Em Rio Preto ensaiamos um mês antes. Umas 5 vezes e já estamos prontos para desfilar.


O EXTRA: A escola precisa chegar ao local do desfile quanto tempo antes de entrar na quadra?

MARCELO: Tem uma ordem pré-definida. Senão tem congestionamento de carros alegóricos. Tem os espaços pré-determinados de concentração e dispersão. Afinal, é muita gente. Chegamos pelo menos 2 horas antes para não ter problemas. E pode estar chovendo que não tem problema. Bora pra folia.


O EXTRA: Depois de desfilar, o que você fez com a fantasia? Tem ela guardada até hoje?

MARCELO: As fantasias são descartadas. Você pode levar, mas não cabia no avião e nem no carro. Elas são de material não duradouro. É mais para fazer a festa no momento do desfile. No final, lá fora, são centenas de fantasias que são deixadas no chão.


O EXTRA: Foi sua primeira vez em um bloco de escola de samba?

MARCELO: Não, eu já desfilei em Rio Preto. Nossa ala eram atores que trocavam figurinos e mudavam de personagens. Depois participei da bateria nota 10 da Império do Sol, também em Rio Preto.  E, jamais desfilei duas vezes na Grande SapucaÍ do Rio de Janeiro.


O EXTRA: Como faz para participar do maior carnaval do Brasil?

MARCELO: Eu entrei em contato pela Internet. Eles são bem organizados. Cada escola tem várias alas e cada uma tem seu responsável e preço. Tem alas que com menos de 500 reais dá para desfilar. A fantasia eles entregam lá e fica para você. Aí, é samba no pé.  Samba, enredo na boca e alegria no corpo.