domingo, 25 de fevereiro de 2018
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14/02/2018 15:23

O Rei do Gatilho

Por Chico Piranha

       


      Nós já contamos aqui a famosa história do “Rei do Laço” e hoje você vai conhecer a não menos famosa história do “Rei do Gatilho”. Essa passagem aconteceu com o lendário Alcides Corsini (in memorian), o Perú, que também foi maior e o mais notável “Rei Momo” da história de Fernandópolis e que agora fica também com o título de “O Rei do Gatilho”. Quem pode confirmar tal façanha é o empresário Antônio Carlos Catelani e o radialista Cláudio Craveiro que hoje reside em Votuporanga.


        Faz aí uns trinta e tantos anos, o trio saiu direto do famoso baile da Casa de Portugal e resolveu curtir a segunda-feira de Carnaval, numa fazenda nas proximidades de São João de Iracema. O dia nem havia amanhecido ainda, quando chegaram na ponte do rio São José dos Dourados, logo adiante do povoado da Vila Cruzeiro. Passar por sobre a ponte era impossível, já que havia chovido muito, o rio tinha transbordado e a ponte de madeira havia desaparecido as águas revoltas e marrom igual chocolate.


       Diante de tamanho imprevisto, decidiram esperar o rio baixar para tocar adiante. O Cláudio, bastante cansado, resolveu tirar um cochilo debaixo de uma grande árvore, enquanto o Corsini e o Catelani foram caminhar pela margem do rio. 


Batendo papo com um grupo de pescadores, descobriram que eles haviam matado uma baita jaracuçú dourada. Pediram a cobra “emprestada” e a colocaram bem espichada bem ao lado do Claudio Craveiro, que roncava que era uma beleza.

Nisso, o Corsini foi até o carro, pegou o “trinta e oito”, chegou perto do Cláudio e fez dois disparos seguidos. O dorminhoco acordou em pânico e ficou branco que nem cera, quando viu ao seu lado, aquela baita cobrona com a cabeça esfacelada. E o Corsini, com a maior calma desse mundo, soprando o cano do revolver...


      - Rapaz, você teve muita sorte. Se não sou rápido no gatilho, essa cobra tinha te picado!