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Uma proposta para geração de emprego e renda - Parte 2

Uma proposta para geração de emprego e renda - Parte 2

Por Jair Carlos Pires de Moraes - Mestre em Economia

Por Jair Carlos Pires de Moraes - Mestre em Economia

Publicada há 9 anos

Agora, chegou o momento de avaliar o presente cenário, que se caracteriza por uma desindustrialização latente e que precisa ser atacada com um novo programa de revitalização das forças industriais presentes em Fernandópolis, e buscar novas agendas de execução pragmáticas de uma política agressiva de reintrodução do processo de crescimento da industrialização em nosso município.


As ideias que se seguem, partem da premissa de que propostas de novos programas patrocinados pelo poder municipal não estão lastreados em fartura de investimentos decorrentes de verbas públicas municipais, ou da exigência condicional de ações empreendedoras por parte da Prefeitura, pois prevalece o entendimento de que “dinheiro não se colhe em árvores”, mas que todos os recursos esperados do poder público municipal sejam simplesmente a articulação, a iniciativa, a “proatividade”, as ações de mobilização e as conexões intersetoriais da economia fernandopolense.

Esse conjunto de ações e atitudes são os princípios básicos do que poderia ser o futuro Plano Estratégico do renascimento industrial de Fernandópolis, a ser iniciado em 2017, com as iniciativas seguintes:


Passo 1 - Valorização das indústrias já existentes e em operação.

A PM de Fernandópolis precisa se aproximar dos empresários e das suas empresas, dentro de um relacionamento altamente promissor, no sentido de valorizar tais empreendedores, conhecer seus planos de crescimento e expansão de negócios, ou de linhas de produção. Essa integração possibilitará, possivelmente, novas alocações de recursos, novas parcerias, criando-se um ambiente propício para aproveitar, eventualmente, áreas ociosas atualmente, existentes em várias indústrias nos atuais parques industriais e/ou, atender demandas de quem está precisando de novas áreas.


Passo 2 - Identificar os atuais projetos de expansão das indústrias tradicionais em operação nos Parques Industriais, de maneira a facilitar a conexão desses empreendedores com órgãos como o Senai e o SebraeTec, visando desenvolver programas de transferência de tecnologias industriais dentro do sistema de terceirização e/ou desenvolvimento de novos fornecedores para essas indústrias mais estáveis e seguras economicamente, e, com isso, gerar oportunidades para novos empresários e novas indústrias de menor porte.


Passo 3 - Pesquisa geral e ampla de todas as indústrias dos atuais Parques Industriais, que se encontram fechadas, desativas, liquidadas e em liquidação judicial, de tal forma a mapear todos os eventos pertinentes e, a partir disso, elaborar um calendário de soluções e engatar um programa de recuperação de cada caso, possibilitando que novos investidores ou mesmo os atuais, encontrem saídas para a revitalização produtiva de tais empreendimentos.


Passo 4 - Estimular as operações de exportação dos produtos “Made in Fernandópolis”.

Criar condições e cenários viáveis para as empresas atuais poderem exportar seus produtos, é um caminho que em médio prazo precisa ser tomado, para que os conceitos de qualidade, produtividade e confiabilidade sejam implementados na cultura empresarial dos atuais e futuros empreendedores dos Parques Industriais de Fernandópolis. Esforços no sentido de vender a marca “made in Fernandópolis” para os mercados externos e para os blocos econômicos, como o MCE - Mercado Comum Europeu, mercado asiático, américa do norte e outros, devem ser viabilizados, pois hoje o mundo industrial é global.


Passo 5 - Criação do APL de móveis de junco sintético: SÃO MAIS DE 20 EMPRESAS!

A criação do APL - Arranjo Produtivo Local, de móveis de junco sintético, aproveitando a existência de mais de 20 microempresas fabricantes, em funcionamento na cidade, visando torná-las PMEs e, dessa maneira, criar mais empregos e maior PIB industrial.


Nesse caso, o APL de fabricantes de móveis de fibra de junco sintético, a prioridade é ter um fabricante dessa fibra como parceiro produtivo, a partir da tecnologia de extrusão plástica contínua das fibras, o que possibilitaria a redução de custos na ordem de 20% a 25% desses mobiliários.

Passo 6- Criação do APL das indústrias de alimentos: SÃO INÚMERAS EMPRESAS, de 10 a 15 


OPERADORAS.

Também a criação do APL - Arranjo Produtivo Local, das fábricas de alimentos de diversos segmentos, teria o objetivo de transformar as atuais operadoras em microempresas, devidamente aparelhadas e preparadas para atenderem mercados “além Fernandópolis”, inclusive com apoio de associações e órgãos como o SebraeTec, na absorção de novas tecnologias e, com isso, crescerem para contribuir com o PIB Industrial de Fernandópolis.


Passo 7 - Alterar a entrada principal dos Parques Industriais 1, 2 e 3, a partir da construção de uma nova rotatória, visando facilitar o fluxo e otimizar a logística nas referidas localidades.


Passo 8 - Planejar a ocupação inteligente do Parque Industrial 6.

O novo Parque Industrial 6, que ainda depende de infraestrutura para que seja ocupado, precisa ter um planejamento operacional e estratégico, de tal maneira a maximizar o seu VPL - Valor Presente Líquido, pois se trata de um investimento público significativo, que irá exigir melhores resultados, no sentido de retornar tais inversões financeiras. É isso que espera o cidadão fernandopolense, muito provavelmente.

Quais as empresas serão acolhidas nesse Parque Industrial?

Sabe-se que determinados segmentos podem e devem causar impactos ambientais locais, pelas emissões de efluentes industriais, contaminação do solo e do ar e outros derivados. Essas possibilidades poderão exigir investimentos em tecnologias de controle ambiental, o que irá onerar mais os gastos com as implantações industriais.

Recomenda-se, nesses casos, planejar a partir da elaboração de várias simulações de Planos de Negócios, objetivando criar alternativas, inclusive para as vantagens e desvantagens em relação ao porte da empresa pretendente, e, principalmente, no que se refere ao seu grau tecnológico, além de outras avaliações pertinentes.


Passo 9 - Criação da Área Internacional na PM de Fernandópolis para captação de investidores estrangeiros.

O Brasil está se reinventando economicamente, e a retomada do crescimento da sua economia poderá ocorrer já em 2017. Assim, apenas investidores chineses, europeus e americanos são os que têm maior chance de investir em curto e médio prazo, em grandes projetos industriais.

Sem uma Secretaria Internacional, as coisas tendem a ficar mais difíceis de se tornar realidade.

Responder pelo marketing da marca “Fernandópolis” no exterior, hoje, isso é bem possível, basta o idioma inglês.

Quando se pensa em desenvolvimento industrial, é preciso se abrir para o mundo globalizado.


Passo 10 - Criação de uma área forte de projetos para análise de viabilidade econômico-financeira das propostas de investidores.

O futuro de Fernandópolis, em relação ao seu desenvolvimento industrial, depende fundamentalmente de Projetos. Essa é a chave “mágica” do sucesso do seu futuro PIB Total Agregado, não apenas da indústria, mas também dos demais setores produtivos como comércio e serviços, além do agropecuário.

Bons projetos de novas empresas a se instalarem no novo Parque Industrial significam indústrias comprometidas com a inclusão social dos seus colaboradores e irradiadoras de conhecimentos na comunidade.


Passo 11 - Disruptura criativa e total do atual modelo de desenvolvimento industrial de Fernandópolis.

Trata-se da destruição criativa total da continuidade do modelo vigente, adotado para o desenvolvimento industrial de Fernandópolis, saindo de uma postura de conformismo, substituir as atitudes passivas pelas ações proativas. Um novo órgão responsável precisa ser desenhado, usando inteligência de negócios na definição das estratégias, para rodar um  novo ritmo de industrialização. Já falamos da importância de estar à dianteira das cidades concorrentes na briga por investidores multinacionais, mediante uma parceria com as “Big Five” consultorias mundiais - PWC, Accenture, Ernest Young, Deloitte e KPMG -, no sentido de mostrar o “catálogo” das atratividades de Fernandópolis aos futuros investidores internacionais que, necessariamente, buscam aquelas consultorias para a introdução dos seus negócios no Brasil.

É importante compreender que, hoje, a disputa por investidores industriais é altamente competitiva por parte das cidades, daí a importância de abrir várias frentes de relacionamento com órgãos, associações e instituições envolvidas nessa empreitada.


Passo 12 - As instituições inclusivas de Fernandópolis podem contribuir em muito com o novo 

desenvolvimento industrial do município.

Nem sempre há a necessidade de doar área de Parques Industriais, galpões, infraestrutura, aluguéis de prédios ou outros recursos econômicos. As vezes, basta apenas uma oportunidade. A indústria de software, por exemplo, pode nascer de apenas um computador e uma tremenda ideia, e ela não surge somente nos ambientes educacionais de alta renda. Um jovem da periferia pode criar um Aplicativo, por exemplo, ou um algoritmo para uso empresarial, basta que as instituições lhe ofereçam apenas uma oportunidade. A criação de um programa de inclusão tipo “jovens talentos empreendedores da periferia”, voltado ao segmento de TI, mediante eventos a serem realizados em Escolas Públicas, centros sociais e similares, visando descobrir ideias inovadoras de negócios no segmento de TI, poderia ser um passo importante. Esse programa poderia ter convênio com o Google campus e também com a Incubatec, para ter apoio de investidores, visando bancar o projeto das futuras Start-Ups.


Finalizando.

Não se admite mais que o futuro desenvolvimento industrial de Fernandópolis se desvie das ações inclusivas sociaise e se foque apenas no racionalismo produtivo. Ele precisa protagonizar melhorias essenciais no desenvolvimento econômico-social e contribuir, significativamente, com a elevação da renda per capita e dos índices sociais, como o IDH, por exemplo.

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