Na Curva do Rio

Como é que não pode?

Como é que não pode?

Por Chico Piranha

Por Chico Piranha

Publicada há 9 anos



Conta o nosso amigo José Rosa Besteti, lá da distribuidora de jornais e revistas, que há muitos anos, quando ainda morava no sítio lá pelas bandas do Córrego da Capivara, certo dia foi convidado como testemunha, por um conhecido sitiante vizinho que foi até o cartório registrar o filho recém nascido. - Qual é o nome da criança?,perguntou o oficial do cartório. E o pai, todo orgulhoso e pimpão, respondeu em alto e bom som: - O menino vai se chamar Ebatata de Souza! -Ebatata? Como assim? Perguntou espantado o oficial do cartório. - Sim senhor, seu doutor, é isso mesmo; o menino vai se chamar Ebatata de Souza! E aí diante daquela situação inusitada, o cartorário explicou que não podia registrar a criança com aquele nome, até porque Ebatata não era nome de gente, e explicou um monte deissos e aquilos. E o pai da criança, marinheiro de primeira viagem, feliz com o nascimento de seu primeiro filho, como  já havia tomado umas e outras com os amigos para comemorar o acontecimento, empolgado batia o chapéu no balcão e afirmava.... Ebatata de Souza doutor, pode registrar ai no livro. Eu sou o pai do Ebatatinha e me responsabilizo. Vendo como não ia ter jeito de mudar as coisas, o cartorário, curioso perguntou, afinal, de onde ele havia tirado aquele nome tão esquisito. E o pai da criança, cheio de orgulho e com o peito estufado, respondeu na bucha; --- É que eu sou plantador de batatas. Acontece que o meu compadre Quincas é plantador de milho e daí ele colocou o nome de Emílio no filho dele... então, se o filho do meu compadre pode se chamar Emilio, como é que o meu filho não pode se chamar Ebatata?...

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