Quando se vê, já são seis horas! Quando se vê, já é sexta-feira! Quando se vê, já é Natal... Quando se vê, já terminou o ano... Quando se vê perdemos o amor da nossa vida. Quando se vê passaram 50 anos!” (trecho do poema “O Tempo”, de Mário Quintana).
Ah, o tempo! O tempo que passa muito depressa a ponto de não percebemos sua fugacidade, e, quando nos damos conta, já é tarde, e ao realizarmos um balanço de nossas vidas, temos a impressão que deixamos de fazer tantas coisas boas, ou seja, perdemos tempo na vida. Quem nunca teve esta sensação, que atire a primeira pedra.
Vou fazer um teste rápido com o leitor para saber se aproveitou bem o seu tempo, até o presente momento de sua vida – curtiu intensamente a infância de seus filhos? Reuniu-se por diversas vezes, em situações felizes, com seus melhores amigos e parentes? Viajou bastante, conhecendo assim lugares e costumes diferentes? Leu bons livros, viajando em suas páginas e despertando sua imaginação para este e outros mundos? Praticou com frequência seu hobby preferido? Teve bastante tempo para ouvir suas canções prediletas? Foi, por diversas vezes, ao cinema assistir filmes inesquecíveis? Foi, pelo menos algumas vezes, ao teatro assistir aquela peça que lhe foi uma verdadeira lição de vida?Degustou com certa moderação, e, às vezes, sem moderação mesmo, seus pratos prediletos enquanto sua saúde permitia? Praticou a verdadeira caridade, ajudando aos mais necessitados com a mão direita, sem que a mão esquerda soubesse?Teve amor a sua profissão, fazendo dela um exercício diário de crescimento pessoal e profissional em prol da sociedade?E, se for o caso, curtiu seus netos?
Se a resposta do caro leitor foi “não” para a maioria destes casos, está na hora de repensar o planejamento de seu tempo. Se a resposta foi “ainda terei tempo para desfrutar a maioria destas experiências”, está na hora de começar a planejar bem o seu tempo. E se a resposta foi um sonoro “sim” para a maioria das situações expostas,continue planejando dessa forma o seu tempo.
Na verdade, a passagem do tempo é inexorável, portanto, é inútil reclamar de sua transcorrência, melhor mesmo é planejar bem o seu aproveitamento, e, é claro, a percepção de que se está fazendo bom uso dele é variável de pessoa para pessoa, e também muda com os anos e a fase da vida. Para um jovem, talvez aproveitar o tempo seja reunir-se com os amigos, namorar ou acampar; quando adulto, pode ser brincar com os filhos pequenos, praticar um hobby favorito, ou, para alguns, pescar; quando idoso, talvez seja brincar com os netos ou viajar em uma excursão na companhia de velhos amigos. De qualquer forma, o bom aproveitamento do tempo é fazer ou sentir aquilo que te deixa feliz.
Sempre quando penso na passagem do tempo, lembro-me de uma frase, repleta de simbolismo, escrita na fachada do cemitério velho da minha cidade, que é Fernandópolis – “Vive bem, para morrer bem”.Além desta frase, também me lembro de uma pesquisa realizada pela enfermeira australiana Bronnie Ware, que publicou em um blog as queixas mais comuns das pessoas que estavam em estado terminal, ou seja, à beira da morte. O site fez tanto sucesso que virou um livro intitulado “The Top Five Regrets of Dying” (traduzido para o português este título significa “Os cinco maiores arrependimentos de quem está morrendo”).Os cinco arrependimentos mais comuns dos pacientes desta enfermeira foram, em suas próprias palavras: “Queria ter aproveitado a vida do meu jeito e não da forma como os outros queriam”; “Queria não ter trabalhado tanto”; “Queria ter falado mais sobre meus sentimentos”; “Não queria ter perdido contato com meus amigos” e “Queria ter me permitido ser feliz”.Por demonstrarem tais arrependimentos, certamente estes pacientes não souberam aproveitar bem o tempo em suas vidas.
Por fim, pense em tudo que te faz feliz, pense em sua família, seus filhos, netos, amigos, nos lugares que tem vontade de visitar, no projeto de vida que tem vontade de executar e planeje seu tempo de modo a desfrutá-lo da melhor forma possível, para que quando o relógio bater seis horas, quando for sexta – feira, quando o Natal chegar e quando os 50 anos passar, tenha a sensação de que não perdeu o amor da sua vida, tenha a percepção de que não perdeu tempo na vida.