Caro leitor! Já pensou se alguns gênios da história fossem impedidos de desenvolver todo o seu potencial? Vamos exemplificar alguns casos - imagine se Ludwig van Beethoven (considerado um dos maiores compositores da história) fosse impedido de compor suas sinfonias? A música ocidental seria mais pobre. Imagine se Luís Vaz de Camões fosse proibido de escrever seus poemas? A Literatura Portuguesa estaria desfalcada de seu maior representante. Imagine se Willian Shakespeare fosse de algum modo impedido de demonstrar genialidade em suas obras? A expressão da dramaturgia mundial não emocionaria tanto as pessoas em enredos contados no cinema, novela e teatro. Agora imagine se todos os cientistas e profissionais da saúde, que desenvolveram vacinas, medicamentos e técnicas cirúrgicas, estivessem condenados a não trabalharem com Ciência e Medicina? Certamente a expectativa de vida da humanidade, atualmente, seria muito baixa, e as mortes por algumas doenças, hoje consideradas sem importância, seriam elevadas. Por isso, não se deve inibir o potencial das pessoas, pois muitas descobertas ou criações da humanidade podem deixar de ser realizadas. Por analogia, é dessa forma que vejo uma população na qual lhe é negada uma Educação de qualidade – seus cidadãos não são estimulados a desenvolver todo o seu potencial, inibindo, por consequência, o desenvolvimento de grandes benefícios para a sociedade.
A Educação de qualidade proporciona o crescimento pessoal e profissional de uma pessoa, abre sua mente, estimula seu raciocínio crítico, oferece recursos ao desenvolvimento pleno de seu potencial, seja este científico, literário, empreendedor ou artístico, de modo geral. Além disso, costuma formar bons profissionais para a sociedade. Quem ganha com isso? Além da própria pessoa que teve a oportunidade de receber uma boa formação acadêmica, ganhará toda a sociedade, ganhará um país. Não por acaso, países que foram arrasados após a Segunda Guerra Mundial, assim que começaram a reconstruir suas nações, investiram pesado em Educação, e hoje estão entre os mais poderosos e influentes do mundo – como a Alemanha e o Japão. Outros, que há 60 anos eram essencialmente países agrícolas e com o PIB (Produto Interno Bruto – índice utilizado para medir o potencial econômico de uma região) e o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano – parâmetro para se verificar a qualidade de vida dos cidadãos) típicos de países de terceiro mundo, investiram em Educação e, com isso, desenvolveram a capacidade de fabricar e exportar produtos de alto valor agregado (produtos caros e que exigem alta tecnologia em sua fabricação), e também passaram a ostentar excelentes índices de qualidade de vida, como por exemplo, a Coréia do Sul – grande exportadora de automóveis e eletrodomésticos cujas marcas são famosas e já fazem parte do nosso dia a dia.
Seria tão bom se em nosso país toda modalidade de ensino público fosse de qualidade, universal, ou seja, ofertada a todas as crianças e jovens, inclusive aqueles mais carentes, que vivem em comunidades pobres do Brasil. Imaginem quantos advogados brilhantes poderiam ser lançados no mercado de trabalho? Quantos engenheiros criativos e competentes se espalhariam nas obras da construção civil, nas repartições públicas e nas empresas? Quantos médicos talentosos trabalhariam em hospitais e centros de saúde? Quantos profissionais competentes das áreas técnicas atenderiam as diversas demandas do setor produtivo? Quantos cidadãos críticos, conscientes de seus direitos e deveres na sociedade, e que não deixariam se enganar facilmente por falsas promessas políticas, teríamos em nossas comunidades? Agora, combinando com uma Educação realmente de qualidade, imagine como seria o perfil do dos professores? Certamente seria muito semelhante ao dos professores de localidades nas quais a Educação é encarada como algo fundamental ao pleno desenvolvimento social e econômico de um país, seria um profissional altamente qualificado, com uma formação primorosa, usufruindo de planos de carreira e salários justos – seria bastante respeitado e reconhecido na sociedade.
O investimento em Educação gera grandes oportunidades, tanto que são inúmeras as histórias de pessoas que venceram na vida investindo seu tempo e recursos nos estudos. Vou contar, rapidamente, a história de um menino negro, pobre, filho de um pedreiro, que para fugir da pobreza, chegou a trabalhar em uma gráfica de madrugada para poder estudar de dia – seu apelido de infância era Joca. Seus pais desembarcaram em Brasília na década de 70, vindo de uma cidade do interior de Minas Gerais. Junto com o casal vieram oito filhos, dentre eles estava o menino Joca, que tinha um objetivo em mente – fugir da irrelevância, destino reservado à maioria das crianças negras, pobres e migrantes como ele em nosso país. Trabalhando duro para ajudar a complementar a renda da família, começou como faxineiro e depois como datilógrafo na gráfica do Senado, no entanto, nunca abandonou os estudos - atividade que se dedicava com afinco. Com isso, Joca se formou Bacharel em Direito em 1979 pela Universidade de Brasília, especializou-se em Direito de Estado em 1982 pela mesma universidade, foi aprovado no concurso de Procurador da República em 1984, obteve, entre os anos de 1988 e 1993, os títulos de mestre e doutor na Universidade de Paris, na França, foi professor em algumas universidades brasileiras, como a PUC do Rio de Janeiro e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Têm fluência em vários idiomas (inglês, francês, alemão e espanhol), e, em 2003, foi indicado pelo então presidente da república, Luiz Inácio Lula da Silva, ao cargo de Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Em 10 de outubro de 2012, Joca foi eleito presidente do STF - a mais alta corte do poder judiciário brasileiro. Joca é mais conhecido no país como o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa. Em 2013 foi eleito pela revista Times como uma das cem pessoas mais influentes do mundo. Ele se aposentou do tribunal, voluntariamente, em 2014.
De faxineiro a presidente da mais alta corte do país, Joaquim Barbosa, o nosso Joca desta linda história de superação, não teria obtido essas grandes conquistas em sua carreira sem a sua intensa dedicação nos estudos, sem as oportunidades proporcionadas, a ele, pela Educação. Por isso, muitos “Jocas” ainda podem surgir em nosso país, brilhando nas variadas áreas profissionais da sociedade, caso a Educação de qualidade seja realmente valorizada pelas políticas públicas, pela população em geral e encarada como algo que liberta a pessoa das amarras que a impede de desenvolver todo o seu potencial – ganha o indivíduo, ganha a sociedade, ganha um país.