Vamos lá pessoal, vamos abrir nossa mente, conhecer o horizonte, entender o que está escrito e o que vem por traz das letras, encontrar o pressuposto e enxergar o subentendido. Vamos ser formadores de opinião, ser um cidadão crítico e participativo.”. Quanta beleza! Quanta democracia! Quanta consciência!
Pois é, uma estranha realidade. Tudo o que foi relatado acima faz parte de um cotidiano educacional, salvo “alguns” que não se preocupam com essa temática. Que panorama perfeito para um país democrático. Liberdade de expressão, exposição de pensamentos sem preocupação com a retaliação, direito assegurado até em nossa Constituição Federal (artigo 5º).
E quando você pensa que está cumprindo com seu dever de educador, eis que inesperadamente uma fera invade nosso espaço e ameaça todo nosso caminhar. As Instituições, cumprindo com seu dever patriótico, nos presenteia com suas avaliações, pesquisas para o bem geral da nação.
E para o bom entendedor, podemos retroceder e nos colocar em uma época em que “Há soldados armados, amados ou não; Quase todos perdidos...”.
Proporcionamos armas aos jovens que são brutalmente retiradas no campo de batalha. Ao realizar essas avaliações ou pesquisas nos deparamos com dois tipos de questões: as objetivas e as abertas. Quando objetivas, as alternativas de respostas, raramente condiz com o que realmente gostaríamos de responder.
Quando são abertas, devemos nos lembrar de esquecer que somos formadores de opinião, pois a nossa opinião não conta nesse contexto. Ao elaborar a resposta é preciso estar atento ao que meu interlocutor quer ler. Nas linhas se deve colocar o discurso do outrem para não desagradar. Não devemos contrariar, porque o Sistema é nosso “pai” e pai não se desobedece. “Pra não dizer que não falei das flores.” O máxima é deixar nas entrelinhas alguma ideia subentendida que poderá ser notada apenas por olhares mais aguçados, que são poucos.
Esta é a democracia que nos oferece o cálice: “Como é difícil, Pai, abrir a porta (Cálice!) / Essa palavra presa na garganta”. Que Clístenes, antigo político grego, considerado um dos pais da democracia, não perca a fé na humanidade de um dia aprender, verdadeiramente, a essência da igualdade, que respeita nossa diversidade de pensamento e que os homens deixem de vomitar o discurso do outro para proferir suas próprias palavras e fazer-se presente nesta vida.