José Renato Se

Hegel tem razão. Marx mais ainda.

Hegel tem razão. Marx mais ainda.

Por José Renato Sessino Toledo Barbosa - Professor

Por José Renato Sessino Toledo Barbosa - Professor

Publicada há 9 anos

O filósofo Hegel afirmara: “A história se repete”. No belo texto “18 Brumário de Luis Bonaparte” Marx replica: “A história se repete, uma vez em forma de tragédia, outra em forma de comédia”.

Pois bem, estamos a viver a comédia.

Explico-me: há poucos meses na escola em que leciono no período que antecedia ao golpe dado contra a presidente Dilma, uma professora bradava o fim da corrupção, a não aceitação popular às práticas lesivas ao erário. Enfim, o povo adotaria a ética como procedimento cotidiano. A classe política forjar-se-ia sob essa premissa.

Derrubaram a presidente – legitimamente eleita –, sem provas contra a ela. Acusaram-na, em face de ações corruptas e criminosas de gente (?) de seu partido. Esses, corruptos bandidos, devem ir para cadeia e devolver tudo aquilo que subtraíram do povo.

Todavia, após o golpe, ao assumir o novo presidente (?), gente (?) de seu partido é escancaradamente flagrada praticando os mesmos crimes, talvez – se é que possível –, piores. A velha compra de votos foi denunciada. Cinismo total: essa faz parte de nossa “cultura política”.

Os “nobres parlamentares” se esforçam à exaustão para impedir que seja aprovado o “pacotão anticorrupção”. Tendo apoio, é verdade, do judiciário. Esses têm certeza que estão numa categoria superior àquela dos mortais. Basta ver o debate – na verdade bate boca – entre dois membros do supremo. Ao vê-los, tive certeza que assistia a um filme do “Monty Python”.

A safadeza continua grassando. Os vagabundos continuam flanando.

Calhordas travestidos de idôneos continuam a bradar moralidade.

O Ministro da Cultura pediu demissão. Motivo: recusou um pedido de ministro do partido do presidente (?) para “dar uma forcinha, uma turbinada numa área de patrimônio cultural, onde possui um apartamento” para não perder o investimento.

O ex-governador Sergio Cabral, guardado em Bangu Oito, ala de “bacanas”, é do mesmo partido que o presidente (?). O ministro solicitante da “forcinha” é do mesmo partido.

Ora, se a presidente deposta, comprovadamente, honesta, porém, condenada por cercar-se de uma corja de vagabundos, pagou o preço do impedimento, a isonomia não vale para o atual príncipe?

Onde estão  honestidade e ética; a “limpeza do Brasil”?

O raciocínio somente valia para a anterior?

Então é o momento da comédia?

Parece que sim.

Por falar em comédia, onde estão os golpistas batedores de panela?

Para outros pode?

Parece-me que estão “passando o Brasil a limpo” como uma borracha feita de estrume.

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