O filósofo Hegel afirmara: “A história se repete”. No belo texto “18 Brumário de Luis Bonaparte” Marx replica: “A história se repete, uma vez em forma de tragédia, outra em forma de comédia”.
Pois bem, estamos a viver a comédia.
Explico-me: há poucos meses na escola em que leciono no período que antecedia ao golpe dado contra a presidente Dilma, uma professora bradava o fim da corrupção, a não aceitação popular às práticas lesivas ao erário. Enfim, o povo adotaria a ética como procedimento cotidiano. A classe política forjar-se-ia sob essa premissa.
Derrubaram a presidente – legitimamente eleita –, sem provas contra a ela. Acusaram-na, em face de ações corruptas e criminosas de gente (?) de seu partido. Esses, corruptos bandidos, devem ir para cadeia e devolver tudo aquilo que subtraíram do povo.
Todavia, após o golpe, ao assumir o novo presidente (?), gente (?) de seu partido é escancaradamente flagrada praticando os mesmos crimes, talvez – se é que possível –, piores. A velha compra de votos foi denunciada. Cinismo total: essa faz parte de nossa “cultura política”.
Os “nobres parlamentares” se esforçam à exaustão para impedir que seja aprovado o “pacotão anticorrupção”. Tendo apoio, é verdade, do judiciário. Esses têm certeza que estão numa categoria superior àquela dos mortais. Basta ver o debate – na verdade bate boca – entre dois membros do supremo. Ao vê-los, tive certeza que assistia a um filme do “Monty Python”.
A safadeza continua grassando. Os vagabundos continuam flanando.
Calhordas travestidos de idôneos continuam a bradar moralidade.
O Ministro da Cultura pediu demissão. Motivo: recusou um pedido de ministro do partido do presidente (?) para “dar uma forcinha, uma turbinada numa área de patrimônio cultural, onde possui um apartamento” para não perder o investimento.
O ex-governador Sergio Cabral, guardado em Bangu Oito, ala de “bacanas”, é do mesmo partido que o presidente (?). O ministro solicitante da “forcinha” é do mesmo partido.
Ora, se a presidente deposta, comprovadamente, honesta, porém, condenada por cercar-se de uma corja de vagabundos, pagou o preço do impedimento, a isonomia não vale para o atual príncipe?
Onde estão honestidade e ética; a “limpeza do Brasil”?
O raciocínio somente valia para a anterior?
Então é o momento da comédia?
Parece que sim.
Por falar em comédia, onde estão os golpistas batedores de panela?
Para outros pode?
Parece-me que estão “passando o Brasil a limpo” como uma borracha feita de estrume.