José Renato Se

Vale a pena Existir?

Vale a pena Existir?

Por José Renato Sessino Toledo Barbosa - Professor

Por José Renato Sessino Toledo Barbosa - Professor

Publicada há 9 anos

Abster-me-ei de tratar da tragédia ocorrida semana passada. Muito já se falou. Apenas lembro: houve crime doloso, pois, para amealhar uns “trocados a mais” o assassino praticou a barbaridade que todos conhecem.


Volto-me para o cenário político desse país: os batedores de panela voltaram às ruas no domingo. Cobraram a continuidade da lava-jato, as punições aos corruptos e reclamaram da ação calhorda do congresso quanto à “brasileirada” na votação da lei anticorrupção. Novamente, puseram bebum para tomar conta do bar. Quando corrupto combaterá corrupção?


Estou à vontade para tratar do tema, na medida em que há meses venho alardeado o fato.


Não tenho “bola de cristal”, apenas penso, observo, leio, reflito e tenho senso crítico. Modéstia à parte: conheço História.


Sobrou apenas para a Dilma. Tratava-se exclusivamente de um golpe para trocar a quadrilha que ocupava o poder.


No mais, a meu ver, “não pegará nada, para ninguém”. O crime continua compensando nesse país.


A economia não dá nenhum sinal de melhora. O futuro descortina-se mais nebuloso, nacional e internacionalmente.


Trumps e Bolsonaros crescem. É a vitória nazifascista.

O que esperar de 2017? De bom, creio NADA.


A fora as manifestações de solidariedade em todo o mundo, em face da tragédia citada, não há mais nada a celebrar.


Continua a valer a premissa: “O ser humano é um projeto que não deu certo”.

Termino o ano na expectativa da aposentadoria da carreira de professor. Nada contra os estudantes. Deles sentirei saudades. Não suporto o poder público, o PSDB em particular, com sua desfaçatez, seu descompromisso com a coisa pública, em especial com a Educação.


“... Peço aos dias que passem e me deixem...” (Fernando Pessoa).

Por esses políticos pseudo-administradores joguei mais de trinta e dois anos na privada.


Termino mais um ano sem ilusão. Todavia, com uma certeza: somente a arte pode nos redimir. Pelo menos nos proporcionar alguns momentos de satisfação.

Assim foi no domingo à noite, quando de mais uma apresentação da OSFER. A música, os trabalhos do Maestro Fernando, trazem um frescor, um doce aroma de uma vã esperança. Permite-nos crer que ainda seja possível insistir. É um sopro de porvir. Instantes de encantamento que tiram o pesado fardo que carregamos ao existir. É alentador.


Ela – a Arte – é responsável por essa injeção de ânimo contra a mediocridade e burrice, canalhas, que proliferam.

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