Waine de Fátim

Plenitude

Plenitude

Por Waine de Fátima Gonçalves Borges - Professora

Por Waine de Fátima Gonçalves Borges - Professora

Publicada há 9 anos

Muitas vezes o que precisamos é do silêncio, do completo silêncio. Onde se possa ouvir até os passos de nossos pensamentos e que de tão vagos e carregados chegam a causar um estremecimento em nosso âmago. Este é o momento para centrar no nada e vislumbrar a luz que, apenas iluminará um nevoeiro repleto de passos, vozes, gritos, lamentos, risadas, barulho incessantemente atormentando o ser.


Apenas o som do vazio, da paz, da plenitude, de estar vivo sem sentir a presença do outro. Você com você mesmo. Um para o outro, o ego o id e o superego, os únicos presentes. É um momento só seu, ninguém para opinar, criticar. O silêncio abençoado, candidamente afaga a alma, acalma a aflição e desponta a plenitude. O desapego neste momento é crucial para que energias positivas infiltrem e pouco a pouco vão tomando conta de cada partícula do corpo receptivo. E uma presença se faz maior e revigora todo o ser, a força renasce, a esperança se aquece e a vontade se levanta.


Após esse momento único em que reencontramos o caminho para nossa essência, entramos em conexão com o nosso interior, caminhamos novamente, preparados para a convivência em nosso meio, e assim compartilhar e comungar nosso espaço. Como um pote vazio que está preparado para receber em seu interior o conteúdo que lhe foi oferecido. Revigorados para começar tudo de novo e nos encher do melhor e por vezes do pior. A cada dia um pouco mais de conteúdo, de essência, até que transborde novamente e o silêncio venha nos socorrer nesse ciclo vivificante.


Este é o ciclo, nos encontramos em nós mesmos, nos abrimos para um futuro e conduzimos nossa vida e nesse reencontro tomamos consciência de nossa existência e da existência do outro que é tão fundamental em nossa vida como nós mesmo. E antes que uma tragédia nos assole que venha as alegrias, risos, gritos, barulho, choro, lamentos e tudo mais. Que venha nos completar. Não vamos esperar o silvo de um apito anunciando os ruídos de turbinas prestes a embarcar para uma viagem sem fim.

últimas