
“Respice post te. Hominem te esse memento. Memento mori” A rigor: “cuide de si mesmo, lembre-se de que você é apenas um homem. Lembre-se de que você morrerá”. Esta frase tem um poder absoluto, pois é conhecida como o antidoto para o orgulho. Na Roma antiga, quando um general desfilava em sua imponente carruagem após uma brilhante vitória, sendo aclamado aos gritos por seu nome como um deus, um escravo ficava logo atrás dele segurando uma coroa de ouro sobre sua cabeça e falando bem baixinho, quase sussurrando no pé do seu ouvido: cuide de si mesmo, lembre-se de que você é apenas um homem. Não se esqueça que você é mortal. O objetivo era evitar a arrogância excessiva, o orgulho, o poder e a sensação de confiança excessiva, o ego de ser intocável. Ao falar essa frase ao líder, escravo procurava fazer com que o mesmo de maneira alguma pudesses esquecer de que, apesar daquela glória, ele também morreria um dia.
É comum homens de poder ou ambição, na busca por seus objetivos se perderem na arrogância. Memento Mori serve como um lembrete de que a vida é passageira e a morte é inevitável e nos leva a refletir de que ao mesmo tempo em que procuramos vencer nossos desafios dia após dia, reduzimos nosso tempo de vida. Ler essa frase faz com que tenhamos a capacidade de manter o foco naquilo que realmente é importante e assim viver com virtude no presente. O tempo, assim como a saúde, são os ativos mais valiosos que temos na vida e como todo ativo são finitos. Ser obsessivos em busca de algo promissor que determine o que nós fazemos falamos e pensamos, para nos dar a essência de quem somos não deve ser algo mórbido, mas sim libertador, nesse sentido ao aceitar que o tempo é finito, temos a consciência de que somos forçados a pensar e questionar o valor de nossas ações imediatas e insensatas, e nos esquecemos de que somos mortais, mesmo em momentos de gloria ou êxtase causados pela euforia imediata após vitórias momentâneas.
Poder e ambição são inimigos da paz, ninguém é capaz de ver através da alma de um homem e enxergar os demônios que o mesmo enfrenta na busca incessante para ter o sucesso imposto pela sociedade e compenetrado em seu ser, para defender com afinco aquilo em que acredita. É por essa razão que o homem cheio de si, costuma despencar abruptamente ao confiar apenas em seu próprio saber, em sua própria razão, sem saber a hora certa de parar, de encerrar o jogo. O homem empoderado se esquece da fragilidade da sua vida e vive seus dias com estultícia, acreditando estar rodeado de pessoas de sua intima confiança, quando quem dorme ao seu próprio lado pode ser a razão de seu fracasso.
A busca ambígua por poder e sucesso faz com que o homem fracasse em áreas primárias que ele mesmo tende a ignorar, como a excessiva confiança em seus pares ou na força de sua vitalidade, seja em industrias, negócios, sociedades ou lares. Assim como os grandes generais da época da Roma antiga, devíamos ter alguém perto de nós que sempre nos lembra-se de olhar por trás de nossos ombros, que sempre nos recordasse de cuidar de nós mesmos e nos proteger de tudo o que pode nos tornar mais frágeis do que realmente pensamos ser. Somos suscetíveis e vulneráveis a qualquer variedade do destino que desafie nossas vidas. Viver não segue estritamente um caráter tempestivo.
Enquanto pensava em como escrever este artigo, em como abordar palavras como arrogância e poder muito presentes na vida de homens que procuram sucesso, me encontrava refletindo próximo do horário do amanhecer e não parava de pensar na passagem bíblica do rei Assuero. A Bíblia narra que Hamã era um poderoso ministro e príncipe do Rei Assuero. O rei havia ordenado que todos os funcionários do palácio se curvassem e se ajoelhassem diante de Hamã em sinal de respeito. Mas apenas um funcionário não obedeceu ao decreto: Mardoqueu. As Sagradas Escrituras narram que diante disso, envaidecido pelo poder e tomado pela cólera, o príncipe Hamã mandou construir uma forca de mais de vinte metros para enforcar Mardoqueu pelo único fato de ter se negado a se curvar ao ministro. Acredito que todo homem envaidecido pelo poder deveria ler esta passagem, vale muito a pena e nos ensina muito sobre a vida. Pouquíssimo tempo depois Hamã foi enforcado na própria forca que construiu, de maneira humilhante, na presença e a pedido do rei, e em um espetáculo na frente do povo e diante de Mardoqueu. Memento Mori, pois nunca devemos esquecer de que somos apenas simples mortais.
Pablo Dávalos é Engenheiro de Produção, MBA executivo em Gestão Industrial – FGV, Especialista em solos e nutrição de plantas – USP, Especialista em PPCP black belt six sigma e Empresário no ramo de agronegócios.
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