
Minutinho: No retoque das palavras
Por: André Luiz/Chico Xavier
Seja onde for, não afirme: “Detesto este lugar!”
- Cada criatura vive na terra dos seus credores.
Ante frase infeliz, não grite: “É um desaforo!”.
- Invigilância alheia pede-nos vigilância maior.
Na madureza, não diga: “Já estou cansado.”
- Sintoma de exaustão, vontade enferma.
Na mocidade, não fale: “Preciso gozar a vida!”
- A romagem terrestre não é excursão turística.
Ao subalterno não ordene: “Faça isto!”
- Indelicadeza no trabalho, ditadura ridícula.
Perante o doente, não exclame: “Coitado!”
- Compaixão desatenta, crueldade indireta.
Na provação, não se lamente: “Já não suporto!”.
- O fardo é proporcional às forças de cada um.
No cumprimento do dever, não clame: “Estou sozinho!”.
- Ninguém vive desamparado.
Se for desapontado, não reclame: “Que azar!”.
- A Lei Divina não chancela imprevistos.
Face ao ideal, não se lastime: “Ninguém me ajuda.”.
- Na Religião, temos responsabilidade pessoal com o Cristo.

Crônica: O anjo surdo
Por: Meu Sonho Não Tem Fim
Conta-se que uma mulher vivia sozinha e muito se lamentava de solidão e nenhuma companhia.
Ninguém jamais aparecia em sua casa.
Certa manhã chovia muito, e alguém bateu à sua porta: era um pequeno homem, tremendo de frio, molhado da cabeça aos pés.
Vendo o visitante tão inesperado, imediatamente mandou-lhe que entrasse.
Ali, com as vestes pingando, ele ouviu a mulher que por mais de hora lamentou sua solidão e falta de companhia.
Ela não lhe ofereceu roupas secas ou algo quente para se aquecer, tão envolvida estava em suas próprias queixas.

Imagem: Ilustração / Fonte: IA/ChatGPT
Ele não tirava os olhos dos seus lábios em movimento ansioso, contínuo e disparado.
Cessada a chuva, ele fez menção de sair da casa, no que a mulher se inquietou:
- “Espere! Nem sei seu nome! Você voltará?”
Ao que o homem reagiu, estendendo-lhe um papel totalmente seco, onde se lia:
- Sou o Anjo Surdo. Só posso ouvir corações. Trago o remédio que cura a solidão, fazendo nascer amizades. Seu efeito não se manifesta naqueles que só falam de si e pensam apenas em si próprios.
Isso dito, desapareceu, e nunca mais alguém bateu naquela porta.
O texto é de livre manifestação do signatário que apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados e não reflete, necessariamente, a opinião do 'O Extra.net'