JUSTIÇA
Justiça condena ex-vereador a quase seis anos de prisão por extorsão contra prefeito
Justiça condena ex-vereador a quase seis anos de prisão por extorsão contra prefeito
Ex-parlamentar foi preso em flagrante ao receber R$ 5 mil dentro da Prefeitura
Ex-parlamentar foi preso em flagrante ao receber R$ 5 mil dentro da Prefeitura

Imagem: Arquivo / Fonte: Info Cardoso
Da Redação
A Justiça de Cardoso condenou o ex-vereador e policial militar aposentado André Luiz Machado Borges, conhecido como Cabo Borges, a 5 anos e 10 meses de reclusão, em regime inicial fechado, pelo crime de extorsão praticado contra o prefeito do município, Luís Paulo Bednarski.
A sentença foi proferida pela juíza Helen Komatsu, da Vara Única da Comarca de Cardoso, e disponibilizada no último dia 31 de julho. Além da pena de prisão, o ex-parlamentar foi condenado ao pagamento de 14 dias-multa e de uma indenização de R$ 20 mil por danos morais à vítima.
De acordo com a decisão judicial, os fatos ocorreram entre os dias 22 de fevereiro e 2 de março de 2026. Conforme apurado durante a instrução processual, Cabo Borges passou a monitorar a rotina do prefeito e a constrangê-lo com ameaças de divulgar vídeos que supostamente comprometeriam sua imagem pessoal e sua vida conjugal.
Em troca do silêncio, o então vereador teria exigido R$ 5 mil em dinheiro, além da concessão de contratos administrativos ou cargos na Prefeitura de Cardoso.
Na sentença, a magistrada destacou que a conduta do réu extrapolou a tentativa de obtenção de vantagem financeira, buscando também influenciar decisões da administração pública por meio de ameaças dirigidas ao chefe do Executivo.
A prisão ocorreu durante uma operação da Polícia Civil, realizada no interior da Prefeitura de Cardoso.
Os investigadores flagraram Cabo Borges no momento em que recebia um envelope contendo os R$ 5 mil exigidos da vítima. Durante a abordagem, foram apreendidos o dinheiro, uma pistola calibre 9 milímetros regularmente registrada, um simulacro de arma de fogo e aparelhos celulares.
Após a audiência de custódia realizada na Central de Flagrantes de Votuporanga, a prisão em flagrante foi convertida em preventiva. Em seguida, o ex-vereador foi transferido para o Presídio Militar Romão Gomes, na capital paulista, unidade destinada a policiais militares presos provisórios ou condenados.
Durante as investigações, Cabo Borges negou ter praticado extorsão.
Segundo sua versão, os R$ 5 mil encontrados em seu poder seriam um adiantamento referente a um serviço que prestaria à administração municipal, versão que não foi acolhida pela Justiça diante das provas produzidas ao longo do processo.
Além da pena de 5 anos e 10 meses de reclusão, a sentença determina:
Ao justificar a manutenção da prisão preventiva, a magistrada entendeu que a medida permanece necessária para garantir a ordem pública.
A decisão ainda é passível de recurso.
Histórico do caso
O caso ganhou repercussão em março deste ano, quando o prefeito Luís Paulo Bednarski procurou a Polícia Civil relatando que vinha sendo monitorado e ameaçado pelo então vereador havia cerca de dez dias.
Segundo o chefe do Executivo, as exigências incluíam dinheiro e benefícios políticos em troca da não divulgação de suposto material comprometedor.
Após a investigação, a Polícia Civil organizou a operação que culminou na prisão em flagrante do acusado dentro da Prefeitura de Cardoso, fato que deu origem ao processo agora encerrado em primeira instância com a condenação do ex-parlamentar.