
O Brasil é o país com a maior diversidade cultural religiosa do mundo, principalmente no que se refere a fé católica – passando do icônico Círio de Nazaré, Romarias ao Senhor Bom Jesus da Lapa e Divino Pai Eterno de Trindade até os Foliões de Reis e Festa do Divino, tradições que vieram de diversas regiões da Europa, amplamente catequizadas e formadas pelos Apóstolos desde os primeiros séculos, no Brasil encontrou uma gente sofrida, indígenas e africanos escravizados desde o inicio do nascimento do Brasil até os mais pobres, menos abastados e tendo que sobreviver à miséria e sofrimento humano, porém no meio dessa pluralidade de devoções, ritos e expressões do ato de crer, confiar em algo que alivie suas cruzes, a nação brasileira encontrou em Nossa Senhora da Conceição Aparecida um ponto em comum que une o povo brasileiro de norte a sul.
Amplamente é divulgada a história daquele 12 de outubro de 1717, quando Domingos Garcia, Filipe Pedroso e Domingos Alves jogaram redes no Rio Paraíba do Sul para pescar peixes para a Comitiva do Conde de Assumar (Dom Pedro Miguel de Almeida Portugal e Vasconcelos), se defrontando com um dia ruim de pescaria e quase desistindo, ali começa a primeira característica do povo brasileiro, a perseverança – eles jogam as redes mais uma vez, sentem algo – era o Corpo de Nossa Senhora da Conceição, o corpo revela outra identidade da nossa gente: um povo passional, que agem com o coração antes de usarem a mentalidade, por fim, lançam a rede novamente e encontram a cabeça, sim, depois de muita luta e um sofrimento quase desnecessário, o povo de Santa Cruz resolve usar a racionalidade e quando unimos razão com emoção, numa lógica quase filosófica, Deus reconhece a Prudência Humana, que alude a quase uma Profunda Justiça Divina e a resposta são os três pescadores guaratinguetaense vendo suas redes colhendo a abundância e a fartura das graças que saem do Céu e inundam a Terra!
Já se passaram mais de 300 anos e Aparecida rendeu obras literárias, cordéis, músicas, ensaios e até mesmo estudos profundos, essencialmente do que leva pessoas e mais pessoas cruzarem quilômetros a pé, simplesmente para como em Romaria de Renato Teixeira render a ela nem que seja “um olhar”.
Se algo posso constatar é que se nessa parte do Noroeste Paulista, de maneira especial a microrregião de Fernandópolis pudesse ter uma Padroeira, certamente essa seria Nossa Senhora da Conceição Aparecida – temos muitos Santos e Santas Padroeiros das Nossas Cidades, Comunidades, Paróquias, mas é diferente quando à essa gente falamos da Mãe Aparecida! Não foi só no Paraíba do Sul que ela foi usando de símbolos de identificação, foi na História!

Foi na história quando maçônicos, latifundiários e detores de uma extensão questionável de terras preferiam a “mão de obra barata” (aliás gratuita), maculando a Terra de Santa Cruz com o desumano escravagismo e já em 1717 ela aparece negra, sim pode ser pelas velas que se acendiam em devoção à concepção de Maria, só que certamente era uma mensagem dos Céus sobre há quem a Mãe de Deus se valia... Foi quando na história Dom João VI sonhou com o Brasil como uma terra continental e em 1822, Dom Pedro I passou pela que hoje é a “Basílica Velha de Aparecida” e fez um juramento que entregaria essa nação a tão terna mãe – e assim acontece o marcante 7 de setembro de 1822, que mais que tornar o Brasil uma Terra Independente – o torna um Império!
E sim, em 1888, aludindo ao Magnificat onde a própria Virgem Maria cantou que Deus derrubou dos tronos os Poderosos, a Princesa Isabel enfrenta o “trono da iniquidade”, que não era o trono imperial, sim o subjugo injusto e perverso dos mesmos maçônicos e latifundiários que em nome de poder, suprimiam dignidade humana. Custou caro: em 1889 veio o golpe republicano, mas a Bondosa Isabel deu seu golpe derradeiro ao dizer a Mãe Aparecida: “se eu não sentar nesse Trono, sente-se em meu lugar e o governe perpetuamente”.
E hoje temos uma Imperatriz, proclamada em 16 de julho de 1930 por decreto de sua Santidade Pio XI, como Padroeira do Brasil – solenemente declarada Rainha e Padroeira do Brasil em 12 de outubro de 1931, em solenidade de Inauguração do Cristo Redentor, a qual o amado Cardeal Dom Sebastião Leme da Silveira Cintra consagrou o Brasil ao Sagrado Coração de Jesus e a tão Terna Mãe. (Observação: A Capela que está aos pés do Cristo Redentor tem por Padroeira, Nossa Senhora da Conceição Aparecida).
Por fim, essa Terra Brasileira é marcada por um povo que não desiste. E brasileiro é teimoso... Quando tudo o que podemos fazer se esgota, tal qual João Grilo do “Auto da Compadecida” de Ariano Suassuna, nós nos colocamos de joelhos e gritamos: “Valha-me Nossa Senhora, Mãe de Deus de Nazaré”. E ela vem... Ela nunca abandonou os seus! É por isso que podemos proclamar com todo o fervor do coração: “O Brasil tem uma Mãe e Senhora... A Senhora Aparecida”!
Vanderlan da Silva é jornalista, teólogo e licenciado em Filosofia.
O texto é de livre manifestação do signatário que apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados e não reflete, necessariamente, a opinião do 'O Extra.net'.