ELEIÇÕES 2026
Lula vence Flávio Bolsonaro, vira resultado do primeiro turno e conquista 4º mandato
Lula vence Flávio Bolsonaro, vira resultado do primeiro turno e conquista 4º mandato
Resultado representa uma virada inédita na história das eleições presidenciais brasileiras
Resultado representa uma virada inédita na história das eleições presidenciais brasileiras

Da Redação
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de 80 anos, foi reeleito presidente do Brasil neste domingo (25), e conquistou um quarto mandato presidencial. O atual chefe do Executivo derrotou o senador Flávio Bolsonaro (PL), de 45 anos, em uma das disputas mais acirradas da história recente do país, depois de terminar o primeiro turno atrás do adversário.
Com 99,83% das urnas apuradas, Lula recebeu 51,76% dos votos (64.145.442 votos) e Flávio Bolsonaro 48,14% (59.775.583 votos).
O resultado representa uma reviravolta histórica. Desde a redemocratização, nenhum presidente eleito havia conseguido vencer o segundo turno depois de terminar a primeira etapa da votação na segunda colocação. Em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro havia recebido 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 45,16%, diferença que levou a eleição para a decisão deste domingo.
A disputa foi marcada pela polarização política, pela mobilização de apoiadores nas ruas e nas redes sociais e por uma campanha que manteve os dois candidatos próximos até a votação decisiva.
Quarto mandato e despedida das urnas
Com a vitória, Lula se prepara para iniciar, em janeiro de 2027, seu quarto mandato como presidente da República. O petista governou o país entre 2003 e 2010 e retornou ao Palácio do Planalto em 2023, após derrotar Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições de 2022.
O novo mandato será também o segundo consecutivo desde seu retorno à Presidência. Pelas regras constitucionais atuais, Lula não poderá disputar uma nova reeleição em 2030, depois de exercer dois mandatos consecutivos.
Aos 80 anos, o presidente encerra mais um ciclo de uma trajetória política iniciada no movimento sindical do ABC paulista e consolidada com a fundação do Partido dos Trabalhadores, em 1980. Sua primeira candidatura presidencial ocorreu em 1989, quando chegou ao segundo turno, mas foi derrotado por Fernando Collor de Mello.
Naquela eleição, a mobilização popular em torno de Lula já representava uma novidade na política brasileira. Mais de três décadas depois, a campanha de 2026 voltou a colocar a participação dos apoiadores nas ruas no centro da disputa.
Mobilização nas ruas e nas redes sociais
A reta final da campanha petista foi marcada pela intensificação de atos públicos e por uma estratégia de comunicação digital voltada à mobilização dos eleitores. A movimentação contrastou com a primeira fase da campanha, que o próprio Lula havia descrito como uma das menos organizadas de sua trajetória política.
Depois de ficar atrás de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, o presidente intensificou a participação em eventos públicos e ampliou sua presença nas redes sociais. A campanha também buscou estimular o comparecimento às urnas, diante da abstenção registrada na primeira votação.
Do outro lado, Flávio Bolsonaro apostou na mobilização do eleitorado conservador e no discurso de oposição ao governo petista. Filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador disputou pela primeira vez a Presidência da República e conseguiu chegar ao segundo turno na liderança da votação inicial.
Um resultado que mantém a polarização política
A diferença estreita entre os dois candidatos evidencia a divisão do eleitorado brasileiro. A disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro mobilizou dois campos políticos que vêm protagonizando os principais embates nacionais nos últimos anos.
A vitória não encerra, porém, os desafios políticos do presidente reeleito. Entre os temas que devem marcar o próximo mandato estão a condução da economia, as contas públicas, a articulação com o Congresso Nacional e a relação com setores da oposição.
A nova etapa do governo também deverá ser acompanhada pela discussão sobre a sucessão política de Lula e o futuro da esquerda brasileira, considerando que o presidente não poderá buscar um terceiro mandato consecutivo em 2030.