OPINIÃO
Artigo: Fernandópolis: contas aprovadas e R$ 114,5 milhões reservados para a saúde
Artigo: Fernandópolis: contas aprovadas e R$ 114,5 milhões reservados para a saúde
“E o orçamento da saúde, sem previsibilidade, viraria uma sucessão de improvisos.”
“E o orçamento da saúde, sem previsibilidade, viraria uma sucessão de improvisos.”

Um orçamento público só merece confiança quando as contas que vieram antes dele estão em ordem. Em Fernandópolis, cidade de 71.186 habitantes segundo o Censo 2022, essa sequência aparece com clareza. Em maio de 2026, o município teve noticiado o parecer favorável do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo às contas de 2024. O exercício de 2022 também havia sido aprovado. E a Lei Orçamentária de 2026 estima uma receita de R$ 466,97 milhões, dos quais R$ 114,51 milhões estão reservados para a saúde, cerca de 24,5% de tudo o que a prefeitura prevê gastar no ano.
O número mostra o lugar da saúde nas prioridades da cidade. Quase um em cada quatro reais do orçamento vai para manter unidades, equipes, medicamentos, exames e serviços de urgência. Esse planejamento só é possível porque a base fiscal é sólida: quem herda contas equilibradas pode prever receitas com realismo e assumir compromissos que serão cumpridos.
A prestação de contas também passa pela participação social. Em fevereiro de 2026, o Conselho Municipal de Saúde aprovou por unanimidade as contas do terceiro quadrimestre de 2025. É o conselho, formado por usuários, trabalhadores e gestores, que acompanha de perto se o dinheiro da saúde está sendo aplicado como planejado, numa das engrenagens de controle que o SUS criou para que a população tenha voz sobre o orçamento.
O território dá a dimensão do papel de Fernandópolis. A cidade é polo de uma região formada sobretudo por municípios pequenos do extremo noroeste do estado. Muitos deles, sozinhos, não teriam escala para manter serviços especializados ou de urgência. Por isso, Fernandópolis e seus vizinhos se organizam no Cisarf, o Consórcio Intermunicipal de Saúde da Região de Fernandópolis, que reúne 13 municípios e permite dividir custos e compartilhar profissionais. Quando a cidade-polo mantém as contas em dia, o consórcio inteiro ganha estabilidade.
Nessa engrenagem, o Governo Federal tem papel essencial. Os repasses do Fundo Nacional de Saúde chegam todos os meses ao fundo municipal e sustentam boa parte da atenção primária e dos serviços de média complexidade. A legislação federal que regula os consórcios públicos dá segurança jurídica à cooperação entre municípios. E o Siops, mantido pelo Ministério da Saúde, dá transparência ao quanto cada cidade aplica no setor.
Sem essa combinação de gestão fiscal, cooperação regional e financiamento federal, o cenário seria outro. Municípios pequenos do Noroeste teriam de mandar seus pacientes para centros distantes, com mais tempo de espera e mais custo de transporte. A cidade-polo, sobrecarregada, teria de escolher entre atender a própria população e a dos vizinhos. E o orçamento da saúde, sem previsibilidade, viraria uma sucessão de improvisos.
Fernandópolis mostra que planejar é a primeira forma de cuidar. Contas aprovadas, orçamento com a saúde no centro e controle social ativo formam a base para que o SUS chegue, com regularidade, a todo o Noroeste Paulista.
Humberto Tobé é Pós-Graduado em Gestão da Saúde Pública, trabalha na interlocução com prefeitos, vereadores, gestores municipais e representantes da área da saúde dos municípios paulistas.
Fatima Crhistine é mestranda em Políticas Públicas pela Universidade Católica de Brasília (UCB), graduada em Economia e Pedagogia, com pós-graduação em Educação Parental e Socioemocional. Servidora Pública Federal cedida da Universidade Federal do ABC para a Secretaria Executiva do Ministério da Saúde.
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