CHICO PIRANHA

A “véia” não avisou

A “véia” não avisou

"Na curva do rio" - Por Chico Piranha

"Na curva do rio" - Por Chico Piranha

Publicada há 9 anos

 

Conta o compadre Geraldo de Mello, que um vizinho de fazenda, sujeito endinheirado que mora em Rio Preto, dia desses estava no maior ronco, quando tocou o telefone lá pelas tantas da madrugada: 


- Dotô Vardemá, aqui é o Jesuino, o capataz da sua fazenda, aqui de Tabuado! 

- Uma hora dessas? O que houve Jesuino, aconteceu alguma coisa grave por aí? 

- Nada não, dotô! Eu só queria avisá que o seu papagaio de istimação morreu! 

- O meu papagaio de estimação? O louro que canta o hino do meu São Paulo? 

- Sim, esse memo, dotô!

- Puxa vida, que pena! Demorou um tempão prá ele aprender cantar o hino do meu tricolor... mas, Jesuino, do que é que foi que ele morreu? 

- Comeu carne istragada! 

- Carne estragada? Mas quem foi que deu carne estragada para ele? 

- Ninguém... ele comeu de um dos cavalos aqui da fazenda, que tava morto... 

- Cavalos mortos? Que cavalos? 

- Daqueles seus cavalo puro-sangue! Eles morreu de tanto cansaço, puxando a carroça cheia de latão de água... 

- Puxando a carroça d água? Que água, homem de Deus? 

- Tivemo que usá os bicho prá carrega água pra apagar o fogaréu! 

- Fogaréu? O que é que foi que pegou fogo, onde foi que pegou fogo? 

- La na sua casa da sede... uma vela acesa caiu na cortina e aí virou um fogaréu... 

- Vela na cortina? Mas quem foi o jerico que acendeu uma vela na casa da sede, se lá sempre teve eletricidade? 

- Foi uma das vela do velório! 

- Velório??? Velório de quem, homem de Deus??? 

- É... o velório da senhora sua mãe, dotô... Tadinha, ela chegou lá na fazenda de madrugada sem avisá, e aí eu dei um tirinho na “veia”, pensando que era um ladrão!


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