ELEIÇÕES 2018

Após coligações, como ficam as principais candidaturas da região?

Após coligações, como ficam as principais candidaturas da região?

Publicada há 7 anos

Gustavo Jesus



Com as convenções partidárias visando às eleições de outubro deste ano sendo realizadas desde o último dia 20 de julho, a calculadora ganha papel de destaque dentro das sedes dos partidos. Isso porque de acordo com a legislação eleitoral vigente, um candidato depende, além de seus próprios votos, do cálculo do Quociente Eleitoral para saber se todo o esforço da campanha lhe recompensou com uma vaga, ou na Câmara dos Deputados, ou na Assembleia Legislativa.


Para esclarecer um pouco mais esse cenário confuso do período pré-eleitoral, O Extra.net traz alguns números para que o eleitor da região entenda como foram formadas as coligações e quais as chances dos deputados com ligações políticas em nossa região serem reeleitos. As convenções finais serão realizadas até este domingo, 5.


DEPUTADO FEDERAL 

O exemplo mais emblemático da utilidade de se trabalhar bem com o Quociente Eleitoral vem do deputado federal fernandopolense Fausto Pinato (Progressistas). Nas eleições de 2014 ele aproveitou a popularidade do apresentador de TV Celso Russomano (PRB) para, puxado pelo seus mais de 1,5 milhão de votos, conseguir uma vaga no Congresso Nacional com apenas 22.097 sufrágios.


Para 2018, a missão do parlamentar baseado em Fernandópolis será matematicamente mais complicada (desconsiderando fatores que os quatro anos de mandato lhe dão, como notoriedade e mais força política para angariar votos em todo o estado). Seu partido, o popular PP, estará coligado com PSDB, DEM e PSD, três campeões de voto no estado de São Paulo. Juntos, esses quatro partidos fizeram nas eleições de 2014 mais de 6,7 milhões de votos, que foram responsáveis por eleger 26 deputados federais.


Se por um lado a união dos partidos garante um grande número de parlamentares eleitos, ela também faz com que a nota de corte seja maior. Se os quatro partidos estivessem coligados nas eleições passadas seriam necessários pelo menos 92.546 votos (quantidade obtida por Goulart, do PSD), para ser eleito.


Os quatro partidos têm hoje uma bancada de 24 deputados federais, com trocas entre os componentes de cada legenda de 2014 para cá. Informações de quadros dos partidos indicam que a expectativa é de eleger cerca de 26 deputados nesta coligação. Para isso, uma boa campanha do candidato ao governo, o tucano João Dória, é fundamental. Ao mesmo tempo em que o bom desempenho do candidato ao executivo é considerado um puxador de votos, o otimismo também leva em conta o possível enfraquecimento do PT no estado. Entre 2010 e 2014 o Partido dos Trabalhadores caiu de 15 para 10 o número de deputados eleitos, e não há perspectivas que o desempenho petista seja melhor em 2018.


DEPUTADO ESTADUAL

Assim como na coligação para a eleição de deputado federal, a situação do pleito de deputado estadual para alguns nomes da região, como os tucanos Gilmar Gimenes, Carlão Pignatari e Analice Fernandes, também não será fácil. Além dos quatro partidos integrantes da coligação para deputado federal, o PRB também fará parte da chapa visando vagas na Assembleia Legislativa (PSDB/PP/DEM/PSD/PRB).


Somados os partidos elegeram nas eleições passadas 40 parlamentares. Hoje a bancada tem 37 nomes, quase todos cotados para mais quatro anos frequentando a ALESP. Em 2014, considerando-se os cinco partidos, o último candidato a entrar direito na Assembleia foi o Coronel Camilo (PSD), que obteve 64.448 votos.


Enquanto Carlão Pignatari e Analice Fernandes vem de votações expressivas (Carlão contabilizou 97.444 votos, enquanto Analice fez 151.407), e contam com pelo menos a manutenção desses votos para reassumirem suas cadeiras, Gilmar Gimenes conviverá novamente com uma situação que ele conhece bem. Com 63.884 votos ele ficou na suplência em 2014, assumindo uma cadeira com ascensão de outros nomes à Prefeituras em 2016. A luta será para atingir a nota de corte e não precisar esperar pela saída de alguns nomes para voltar à ALESP.


A favor de Gimenes está o fato de ter trabalhado com mandato por dois anos e, apesar da suplência em 14, ter saído com uma votação expressiva em sua primeira tentativa nas urnas. A expectativa de membros da coligação é que a nota de corte seja próxima aos 75 mil votos (o que significaria um salto de pouco mais de 10 mil votos para Gimenes). Na coligação PSDB/DEM/PP/PSD/PRB a expectativa é pela eleição de cerca de 44 deputados estaduais.


MDB ISOLADO

Devido à força vinda do apoio, informal e partidário, de Geraldo Alckmin e do PSDB para Márcio França (PSB) e João Dória, o MDB se viu sem partidos relevantes para compor a candidatura de Paulo Skaf. Com isso, após aliança com o PSD e o PP em 2014, o partido do presidente Michel Temer concorrerá isolado nas eleições para deputado federal e estadual.


A sigla tinha como expoentes na região nos últimos anos o federal Edinho Araújo, que foi eleito prefeito de São José do Rio Preto em 2016, e Itamar Borges, que volta a para o pleito de 2018 com altas necessidades de votos na região noroeste do estado.


Com cerca de 1 milhão de votos nas duas últimas eleições para deputado estadual em São Paulo, o MDB tem como meta manter a bancada atual de quatro deputados e eleger mais dois nomes, chegando aos seis candidatos eleitos. Em 2010 Itamar teve 79.195 votos, enquanto em 2014 saltou para 99.558. Manter essa votação reconduzirá o político santa-fé-sulense para seu terceiro mandato como deputado estadual. A nota de corte neste caso deve ficar em cerca de 70 mil votos. O problema do santa-fé-sulense é que desta vez, ao contrário das anteriores, não contará com o apoio de Edinho Araújo que, fora da disputa, lançou o seu filho para disputar com o próprio Itamar.


QUOCIENTE ELEITORAL

Nas eleições proporcionais de deputados federais, estaduais e vereadores, as vagas são distribuídas em proporção aos votos obtidos pelos partidos ou coligações e preenchidas pelos candidatos mais votados da lista da legenda ou coligação, até o limite das vagas obtidas. O número de votos válidos será dividido pelo número de cadeiras das respectivas Casas Legislativas por estado. Depois do Quociente Eleitoral, é necessário calcular o chamado Quociente Partidário que é a divisão entre os votos da legenda e o Quociente Eleitoral. Após os dois cálculos, é possível concluir quantas vagas no Congresso ou na Assembleia Legislativa o partido ou coligação terão direito, que deverão ser distribuídas entre os seus candidatos mais bem colocados.


Analice Fernandes, Carlão Pignatari, Fausto Pinato, Gilmar Gimenes e Itamar Borges: calculadora na mão e pé na estrada para pedir votos

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