Sabemos que a língua escrita é um objeto de conhecimento e com isso é de extrema necessidade que aconteçam reflexões didáticas diariamente. O objetivo das intervenções não é validar o saber de uma criança. É propor uma situação para que todos se sintam convocados a participar e, principalmente, reconheçam a própria potência para contribuir, dar sugestões, compartilhar seus saberes e aprender com o grupo. É mais um espaço didático para propor problemas e discussões e orientar o uso de boas fontes de informação.
No processo de alfabetização, os professores têm o desafio de planejar atividades que integrem a reflexão sobre o sistema de escrita. São atitudes que se opõem ao contexto em que as atividades de alfabetização são trabalhadas de forma mecânica e sem sentido. Outro desafio é planejar propostas que apresentem bons problemas, de forma que os alunos tenham de acionar os seus conhecimentos disponíveis para aprender novos elementos presentes na cultura escrita. É fundamental também conhecer os saberes prévios dos mesmos, a fim de ajustar os desafios às necessidades de aprendizagem de cada um, oferecendo um melhor apoio para que todos avancem.
Agrupar os alunos em duplas para criar um espaço de reflexão, considerando o conhecimento de cada um sobre o que se pretende ensinar, também é uma ação intencional e que se criteriosamente planejada pelo professor é de grande valia. É necessário reunir as crianças com saberes próximos (e não iguais), para que se possa criar um espaço real de cooperação no processo da escrita. Nesta situação, agrupar estudantes com saberes muito distantes ( um com escrita pré-silábica e outro com escrita alfabética, por exemplo) é improdutivo, pois as necessidades de aprendizagem e de reflexão sobre o funcionamento do sistema de escrita são muito diferentes. Isso não quer dizer que, em outras propostas, com outros objetivos, esses dois perfis não possam ser agrupados. É necessário também realizar investigações diárias que permitam estudar e validar as situações de aprendizagem propostas, aperfeiçoando as intervenções de ensino, apresentando novas situações problemas que só se fazem presentes na sala de aula.