
Dia desses o Compadre Geraldo de Mello parou prá tomar um engasga-gato numa vendinha lá de Aparecida do Taboado, quando por acaso, acabou encontrando o velho Belarmino, seu antigo vizinho de propriedade e companheiro de famosas pescarias. Como fazia um bom tempo que não se viam, resolveram tomar uma cervejinha bem gelada e colocar a prosa em dia. Fala disso, fala daquilo, até que de repente, o Compadre Belarmino se saiu com essa:
- Geraldo, eu ando com uma sorte desgramada de boa. Carcula o Compadre que dia desses lá no Corguinho da divisa das nossas terras, eu acertei a mão na pescaria. Peguei um monte de bagres e lobós e quando já tava de saída, fisguei um lambarizão de dois quilos e meio?
- Que que é isso compadre Belarmino? Onde é que já se viu um lambari de dois quilos e meio... tenha a santa paciência homem de Deus!
- Ara, por acauso o compadre Geraldo tá duvidando de mim?
- Não, de jeito nenhum! Esse corguinhoonde nóis pesca é um assombro mesmo! Carcule o compadre que ôtro dia eu também tava pescando e a linha começôcorrê e puxá. Logo vi que era coisa grande! Dei um cadinho de linha, fisguei firme e forte e aí fui puxando, puxando de levinho... quando tirei o danado da água, sabe o que que era?
- Imagino. Era um lambarizão grandão de uns treis ou quatro quilos....
- Não compadre Belarmino,maior que o seu lambari não existe. O que eu peguei era um lampião! Um lampião Compadre Belarmino! E o mais impressionante é que o danadotava aceso!
- Ah, não! Aí o Compadre desageroudemais da conta! Lampião aceso debaixo d’água?! Onde é que já se viu pescá um trem desse, sô?!
- Tá bão, tá bão, Belarmino! Então vamofazê assim: o compadre diminui o peso do seu lambari e eu apago o meu lampião...