Diante da tela encontra-se a imagem da folha do editor de textos que me desafia a escolher o que digitar. Inúmeras ideias e nenhuma inspiração. Os acontecimentos recentes noticiados pela mídia são desanimadores, mas um final de semana prolongado merece um texto dedicado a temas mais nobres e edificantes mesmo em situações adversas. O que me inspirou esta semana foi a apresentação do Maestro João Carlos Martins e a Orquestra Bachiana Filarmônica.
Nem a noite fria da segunda-feira foi suficiente para impedir o apelo do corpo cansado após um longo dia de trabalho; o desejo da alma falou mais alto, afinal, a oportunidade de ouvir música de qualidade também revigora. O inusitado espaço de uma arena para rodeios e shows populares de grandes proporções não impediu que a beleza e a magia da boa música encantassem e emocionassem.
Essa é a ousada proposta do musicista: levar a música a todos os espaços que puder e democratizar a primeira das artes. A música escolhida para abertura da apresentação – Jesus alegria dos homens, de Johan S. Bach – foi o prenúncio do que estaria por vir: erudito e popular da mais alta qualidade. Além do compositor germânico, teve Beethoven, Mozart, Morricone, Piazzolla e também Adoniran Barbosa. Ao final, o solo de piano do Hino Nacional numa versão do próprio João Carlos Martins, simples e arrebatadora.
As telas da Arena Crystal mostraram em repetidos closes as mãos do Maestro ao piano, um ato de superação e ousadia. Acometido por problemas de saúde e por diversos acidentes, ele se submeteu a diversas cirurgias que lhe impossibilitariam os movimentos das mãos e, contrariando todos os prognósticos, ele continua tocando, e com perfeição. Quem teve a oportunidade de assistir e se emocionar com a apresentação de João Carlos Martins e da Orquestra saiu de lá com a alma lavada.