MINUTINHO: Aja enquanto é tempo
Os homens são os artífices de seu destino. Essa verdade é constatada mediante singela observação do mundo que o cerca. O aluno estudioso tira boas notas, passa por média e não se angustia com exames e repetências. Já o estudante preguiçoso está sempre envolto com notas baixas e reprovações.
O profissional competente costuma ter mais clientes do que consegue atender. Sem dúvida, ninguém está livre de percalços. Uma pessoa inteligente e preparada pode ser surpreendida com desemprego ou momentos profissionais difíceis. Mas as crises são mais frequentes para aquele que não tem formação sólida e fama de profissional competente. Mesmo no âmbito das relações pessoais, cada um vive as consequências de seus atos. Alguém prudente no falar jamais se envolve nos transtornos que a maledicência provoca. Contudo, o tagarela sempre corre o risco de amealhar inimizades.
A pessoa generosa suscita simpatias por onde passa. Quando necessita de ajuda, muitas mãos se movimentam em seu favor. Mas a criatura mesquinha e implacável está sujeita a ficar desamparada, pela antipatia que seu agir provoca. Não é difícil verificar a Lei de Causa e Efeito atuando. Comportamento digno e sensato traz tranquilidade e boa reputação. Desonestidade, preguiça e leviandade causam infinitos transtornos. Certamente há eventos que superam qualquer expectativa e semeiam dores na vida de pessoas honradas e previdentes. Mas aí em geral se tem o efeito de causas remotas. As grandes dores que nada pode evitar e não são causadas pelo agir atual; refletem o acertamento de antigos equívocos.
A Justiça Divina reina soberana no Universo. Ela propicia liberdade para os Espíritos viverem conforme seus gostos e opções. Mas cada qual é estritamente responsável pelo que faz. Muitas vezes, a consequência do agir equivocado não se produz rapidamente e nem na mesma existência. A Lei Divina não se engana e nunca perde o endereço de quem a ofendeu. Mas ela não se mostra apenas como justiça, mas também como misericórdia. Por isso dá tempo para o calceta adquirir forças para os resgates necessários.
E principalmente aguarda que ele se resolva a quitar os equívocos do passado com a moeda boa do amor. Como afirmou o apóstolo Pedro, “o amor cobre a multidão de pecados”. Não é preciso sofrer para recompor o passado de erros. Mas é imperioso resgatar todo o mal feito. Ciente dessa realidade, dedique-se a fazer o bem. Viva de forma honrada. Trabalhe, estude, amealhe recursos intelectuais e morais. Seja um bom exemplo para todos que convivem com você. Mas vá um pouco além disso. Dedique-se a uma causa, ampare os necessitados, eduque os ignorantes. Em seu passado espiritual há certamente muitos erros. Antes que o resultado deles o atinja, gere causas de felicidade ao agir de modo altruísta. Aja enquanto é tempo. A rigor, o bem é sempre possível, agora ou mais tarde. Mas é uma tolice
aguardar a dor cobrar a conta que o amor pode pagar. Redação do Momento Espírita
CRÔNICA: Cerimônia dos sonhos

Frida sempre havia sonhado com um casamento de contos de fadas. Planejara como seria o vestido, o véu, o buquê, o penteado, o sapato, os vestidos das madrinhas. Selecionou as músicas da cerimônia, da entrada até a saída, e especificou como seriam as lembrancinhas, o bolo, os doces. Preparou tudo com cuidadoso zelo. Mas se esqueceu de levar em conta a parte principal, aquela que faria a diferença na adaptação do casamento: a realidade da vida a dois. Ficara tão absorvida na cerimônia que deixara de lado a essência e o significado profundo desse ato. O dia da celebração foi maravilhoso.
Os convidados se encantaram com a decoração dos salões, os aromas das flores, os sons dos violinos e os sabores dos pratos. Frida estava orgulhosa de si mesma. Havia se esmerado e agora se sentia realizada. O noivo a tudo assistia com resignada alegria. Ficava feliz ao vê-la radiante. Para ele, bastaria uma cerimônia simples, com os amigos íntimos e os familiares, mas ela queria uma festa digna de rainha. Por conta desse desejo, casaram-se endividados. Casamento é uma vez só, justificara Frida, a cada novo gasto inesperado.
E assim foram avançando em compromissos financeiros. Tudo em nome do sonho da mimada noiva. Uma amiga alertou: Você não acha que está exagerando? Foi afastada do convívio e tratada com polida indiferença. A noiva não queria ninguém lançando energias negativas em seu casamento. Terminada a cerimônia, o casal rumou para uma breve lua de mel, em uma cidade de veraneio. Quando voltaram, Frida não conseguia se adaptar à rotina de casada. Irritava-se, reclamando das tarefas diárias. As dívidas chegavam impiedosas e o casal acabava discutindo por causa da eterna insatisfação de Frida. Meses depois, ela decidiu voltar para a casa dos pais. Acusava o marido de não lhe dar atenção, de trabalhar muitas horas, deixá-la sozinha e não ajudá-la nos trabalhos da casa. Ele realmente trabalhava horas a mais para pagar as onerosas contas.
E, ultimamente, não fazia questão de retornar mais cedo. Não se sentia à vontade em casa, onde a esposa o aguardava sempre com queixumes. O casamento acabou antes mesmo do casal terminar de pagar todas as prestações assumidas. Aquela amiga que havia sido afastada, um dia encontrou Frida e, ao ouvi-la reclamar sem parar, nem a deixou terminar. Você estava tão focada em concretizar o seu sonho, tão voltada para si mesma e para a parte material do casamento, que ignorou o fato de que nossa felicidade está intimamente associada à felicidade dos que nos cercam.
O que você fez para que as pessoas que a cercam também tivessem seus sonhos realizados? Frida emudeceu. Não havia pensado nos sonhos de mais ninguém. Apenas nos seus. Naquele momento, um clarão iluminou sua mente. Ela percebeu, em choque, o quanto havia sido egoísta e imatura. Voltou para casa cabisbaixa, pensando no quê, de fato, havia significado o casamento para ela. E lamentou ter desperdiçado tanto tempo e recursos numa ilusão.
Desde então, Frida mudou sua forma de ser e estar no mundo, buscando primeiro a essência das coisas, e não suas manifestações exteriores. Redação do Momento Espírita