Waine de Fátim

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Por Waine de Fátima Borges - Professora

Por Waine de Fátima Borges - Professora

Publicada há 9 anos

Kant disse: “O direito é o conjunto de condições que permitem à liberdade de cada um acomodar-se à liberdade de todos”. Direito, liberdade, limites, obsessão. Vivemos em uma época que tudo se mistura, a essência encontra-se camuflada e o respeito, ética, moral estão cada vez mais em cenas de filmes mudos: todos veem mas ninguém pronuncia.


No último final de semana presenciamos uma situação estarrecedora. A apresentadora Ana Hickmann sofreu um atentado. Sua vida foi invadida por “uma mente” obcecada por sua imagem e que se sentiu no direito de tirar-lhe a vida. A questão é que esse tipo de pessoa, que surta, mentes doentias, sempre estiveram presentes na sociedade. E o maior problema é a invasão da privacidade e muitas vezes somos os próprios culpados por isso acontecer. 


Quanto de nossa vida expomos nas redes sociais. Se alguém quiser saber algo sobre o próximo, com apenas um clique poderá saber com quem tu andas, onde tu estas, onde tu não estas. A todo momento postamos informações e não percebemos o quanto essas informações podem ser preciosas para essas mentes brilhantemente maldosas. Fotos revelam, encantam e expõem. Palavras escritas podem expressar sentimentos, não os do enunciador e sim daquele que as está recebendo. Dependendo do estado de ânimo do interceptor a mensagem pode ter uma conotação bem diferente do que se pretendia passar. 


Assim, como a globalização estamos transformando nossa privacidade em um mundo sem fronteiras, exibida abertamente a todos navegantes como se fossemos apenas emoticons que simbolizam nossos sentimento e estado de humor. Deixamos abertas as “windows” de nossas casas, tornamo-nos os melhores servidores da rede. Mensagens em tempo real transpondo comportamentos irracionalmente virtual.


Em nossas homepages estamos deixando um banco de dados para que desconhecidos façam o download de nossas vidas. Talvez esteja na hora de voltarmos no tempo em que nossos dados eram guardados nas caixas no fundo de um baú, nossas lembranças nos velhos álbuns de família. Vamos compartilhar mensagens positivas, informações públicas e resguardar o que temos de mais precioso: nossa família e nossa vida. 


Cabe a cada um de nós sermos responsáveis pelo que veiculamos, cabe a cada um de nós cuidar do que presamos. O que os olhos não veem o coração não sente e não age. Se não houver exposição, os olhos alheios não enxergarão e muito mal há de se evitar. Curtir e compartilhar, ponderar e cuidar.

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