Minutinho: Mágoa
Se a mágoa lhe bate à porta, entorpecendo-lhe a cabeça ou paralisando-lhe os braços, fuja dessa intoxicação mental enquanto pode. Se você está doente, atenda ao corpo enfermiço, na convicção de que não é com lágrimas que você recupera um relógio defeituoso. Se você errou, busque reconsiderar a própria falta, reajustando o caminho sem vaidade, reconhecendo que você não é o primeiro e nem será o último a encontrar-se numa conta desajustada que roga corrigenda. Se você caiu em tentação, levante e prossiga adiante, na tarefa que a vida lhe assinalou, na certeza de que ninguém resgata uma dívida ao preço de queixa inútil. Se amigos desertaram, pense na árvore que, por vezes, necessita da poda, a fim de renovar a própria existência.
Se você possui na família um ninho de aflições, é forçoso anotar que o benefício da educação pede a base da escola. Se você sofreu prejuízos materiais, recorde que, em muitas ocasiões, a perda do anel é a defesa do braço. Se alguém lhe ofendeu a dignidade, olvide ressentimentos, ponderando que a criatura de bom senso jamais enfeitaria a própria apresentação com uma lata de lixo. Se a impaciência lhe marca os gestos habituais, acalme-se, observando que os pequeninos desequilíbrios integram, por fim, as grandes perturbações.
Seja qual seja o seu problema lembre-se de que toda mágoa é sombra destrutiva e de que sombra alguma consegue permanecer no coração que se acolhe ao trabalho, procurando servir.
Francisco C. Xavier/Emmanuel Livro Ideal Espírita
CRÔNICA:
Oração especial Certa vez, um homem recebeu a visita de alguns amigos.
– Gostaríamos muito que nos ensinasse aquilo que aprendeste todos esses anos
– disse um deles.
– Estou velho – respondeu o homem.
– Velho e sábio – disse um outro.
– Afinal de contas, sempre te vimos rezando durante todo esse tempo. O que conversas com Deus? Quais são as coisas importantes que devemos pedir? O homem sorriu.
– No começo, eu tinha o fervor da juventude, que acredita no impossível. Então, eu me ajoelhava diante de Deus e pedia para que me desse forças para mudar a humanidade. Aos poucos, vi que era uma tarefa além de minhas forças. Então comecei a pedir a Deus que me ajudasse a mudar o que estava à minha volta
– Neste caso, podemos garantir que parte de seu desejo foi atendida – disse um dos amigos.
– Seu exemplo serviu para ajudar muita gente.
– Ajudei muita gente com meu exemplo; mesmo assim, sabia que não era a oração perfeita. Só agora, no final de minha vida, é que entendi o pedido que devia ter feito desde o inicio.
– E qual é este pedido?
– Que eu fosse capaz de mudar a mim mesmo.
Autoria desconhecida