Waine de Fátim

Captando a Capital

Captando a Capital

Por Waine de Fátima Gonçalves Borges - Professora

Por Waine de Fátima Gonçalves Borges - Professora

Publicada há 9 anos

Recomendo a todos que ainda não conhecem Brasília, quando tiverem oportunidade não deixem de conhecê-la. Para mim é uma das mais belas cidades. Realmente tudo o que se planeja vale a pena. Uma cidade ampla, onde não há o sufoco de aglomerações, presença de muito verde, sem muros e sem fronteiras entre o belo e o feio uma vez que as harmonias das construções exibem sua exuberância.

            

Estando lá não pode deixar de visitar os principais pontos turísticos. Com monumentos imponentes, uma arquitetura glamourosa e ao mesmo tempo “clean”. Recomendaria passar pela Catedral Metropolitana, Memorial de Juscelino Kubitschek, Museu Nacional, Praça dos Três Poderes, o pôr do sol no Parque da Cidade Sarah Kubitschek e ainda tem as feiras de artesanato na Torre onde podemos visualizar, lá do alto, o formato de toda cidade: o eixão, a asa norte e a asa sul, cidade em formato de avião.

            

Como todas as vezes em que a visito na companhia de pessoas que ainda não a conhece, acabo fazendo o roteiro “oficial” desses pontos. E desta última vez conheci o Memorial de Tancredo Neves, nunca antes visitado, por mim. Encantei-me com toda beleza histórica presente naquele recinto. O quanto de nossa história que anda um tanto empoeirada e pouco contada nas escolas. O quanto de um povo que lutou bravamente por nossa liberdade e por nossos direitos. Nomes muitas vezes anônimos pela multidão que se deleita com as conquistas desses “desconhecidos”. Ao mesmo tempo que meus olhos vislumbravam esses heróis meu coração se condoía pela falta de conhecimento histórico patriótico de nossa nação.

            

O Congresso Nacional faz parte do “pacote turístico” e lá fui eu mais uma vez visitar as dependências daqueles que zelam pelos nossos direitos (kkkkk (desculpem, escapou)). Não sei se já repararam quando televisam uma sessão do Senado, lá há um carpete azul claro que cobre a tribuna do presidente e ali fica desenhado, no centro, a Bandeira Nacional e dos lados a Catedral e o Congresso. A história desses desenhos é que me leva visitar tantas vezes esse lugar. Um funcionário da limpeza, certo dia, ao realizar seu ofício recebeu a notícia do nascimento de sua filha e em homenagem a ela deixou registrado no carpete o orgulho do nascimento de mais uma brasileira. Quando os “superiores” chegaram e viram aquelas imagens gostaram tanto que até hoje, todos os dias, o mesmo funcionário, com suas ferramentas, escova e vassoura, deixa registrado no carpete sua obra de arte. E mais uma vez, uma personagem de nossa história acabará por nunca ser conhecido, um anônimo que usa aquele “palco” para registrar seu patriotismo e não como ringue de desaforos, conchavos e muitas vezes, vergonha.

            

Para quem não conhece o Congresso ele é dividido em salões e cada um deles recebe o nome de acordo com a cor do piso. Podemos ver ali muitas obras de arte: pinturas, esculturas, painéis. Um acervo cultural e paisagístico muito amplo. Sempre com um guia muito bem preparado para nos orientar e nos pôr a parde nosso histórico sócio-político. E não sei por que, ao passar pela sala dos presentes recordei-me de um certo faqueiro. Uma lembrança não só minha, uma vez que ouvi um comentário de uma das visitantes. Apesar das risadas que demos sobre nossos angelicais comentários, a revolta me assolou naquele momento ao recordar que perpassam diariamente por aquelas salas e corredores pessoas ímpias, desprovidas de toda ou qualquer vergonha nacional.

            

E por ainda acreditar que se mantém viva a chama nacionalista daqueles que outrora lutaram por nossa pátria, mãe gentil, em alguns de nossos representantes, rogo para que essas mãos mais poderosas nos liberte dessa face hostil.

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