Na Curva do Rio

Negociante de cavalos

Negociante de cavalos

Por Chico Piranha

Por Chico Piranha

Publicada há 9 anos



Dia desses o Mário da Agência Caiçara me contou o triste causo do Traíra, um pangaré que o nosso amigo Lucindo Moreti, tem na sua fazenda lá pelas bandas do Triangulo Mineiro, ali nas Minas Gerais.


Prá quem num sabe da história, um belo dia pescando numa lagoa de um vizinho de propriedade, o Lucindo fisgou um trairão daqueles bitelões e quando fez o galeio prá tirar o peixe d’água, o trairão caiu lá atrás no meio da saroba e o anzolão acabou espetando no beiço do pobre cavalo. Aí o jeito foi fazer uma “cirurgia” no beiço do bicho e como o serviço não ficou lá essas coisas, o coitado do animal ficou com a boca torta,e com isso, acabou ganhando o apelido de “Traíra”.


Até aí tudo bem. Acontece que dias desses, proseando com o povo numa venda lá de Limeira D’Oeste, o Lucindo encontrou um vizinho de propriedade e conversa vai, conversa vem, ficou sabendo que o caboclo queria comprar um cavalo manso mas bom de trote. Foi quando ele resolveu colocar o Traíra à venda. Afinal, o Traíra era um cavalo bem novo, tinha aí uns cinco ou seis anos, mansinho, marchador e bom de serviço que só vendo.


Acertaram o negócio ali mesmo e no dia seguinte o Lucindo levou o cavalo até a fazenda do vizinho. O mineiro olhou o animal de cabo a rabo e por último foi dar uma olhada na boca, porque é pelos dentes que se sabe a idade do cavalo. Foi quando percebeu que o bicho além de ter a boca torta, ainda faltava um pedaço do beiço, deixando dois dentões bem à mostra.


--- Ô compadre Lucindo, o senhor me falou que o cavalo era bicharedo de bão, mas tou vendo aqui que falta um pedaço de beiço do bicho... o senhor me “tapiou”, me vendeu um cavalo aleijado!

--- Peraí, Compadre Belarmino, o “Traíra” num tem problema nenhum não,homi de Deus. Deixa de sê exigente, larga de bobage, sô! O compadre qué um cavalo prá muntá ou prá assubiá?

últimas