Waine de Fátim

Inspire-se

Inspire-se

Por Waine de Fátima Gonçalves Borges

Por Waine de Fátima Gonçalves Borges

Publicada há 9 anos

O vazio está cheio de vazio. Não sei se é uma incoerência ou uma simples antítese. O certo é que o vazio está cheio. Assim como uma bolha cheia de ar. Sabemos que o ar está ali, mas não o vemos. E sabemos que não podemos viver sem este ar. Assim, o vazio faz parte de nossa vida.


             O filme “Divertida Mente” nos mostra o valor de todos sentimentos. Que não devemos afugentar a tristeza e sim aprender a conviver com ela, pois uma grande alegria sempre surge após uma tristeza, é necessário de vez em quando nos enchermos de vazio, pois só assim poderemos novamente completar nossa vida com o novo.


            Pelo menos uma vez ao ano devemos nos esvaziar das angústias, tristezas, das coisas que nos aborrecem e que se tornam obsoletas e guardar com carinho o que nos faz feliz, mas que devem permanecer apenas na memória. Desobstruindo então parte do espaço para preenchê-lo novamente. Como diz o poeta Vinicius de Morais “Vago em mim mesmo, sozinho, perdido”. Vagar em nós mesmo é preciso, mas não para sentir solidão ou perder-se e sim para nos encontrar, nos fortalecer.


            Para o budismo, todas as coisas são vazias, destituídas de um “eu”, uma vez que tudo no universo está interligado e é interdependente. Somos uma soma de agregados. Agregamos profissão, estudo, família, religião, sociedade, ética, moral etc., etc.  O que não podemos é entrar em um buraco negro que deforma nosso tempo e espaço ou sermos o nada, a ausência. A plenitude é nossa raiz.


            E que dentro deste espaço inócuo se agregue o impossível que ser tornará possível a partir do momento que acreditamos em sua possibilidade. E que os sonhos povoem a névoa da inexistência e o vazio se complete de vida, de aprendizagem. Como nos ensina Shakespeare, com o tempo você: “Aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.”


            Assim como nossa respiração: inspire e expire, encha e esvazie, inspire e expire, encha e esvazie. Inspire-se.

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