José Renato To

A objetivação da subjetividade

A objetivação da subjetividade

Por José Renato Sessino Toledo Barbosa

Por José Renato Sessino Toledo Barbosa

Publicada há 9 anos

A língua grega nos legou o termo aesthésis cujo significado em português designa: “aquilo que sinto”. Quer dizer, aquilo que afeta meus sentidos, minha percepção. Estética, na língua pátria, portanto, relaciona-se à beleza, ao belo. Em Filosofia é uma área que reflete a Arte, entendendo essa como uma preocupação de também enaltecê-lo, de produzir afetação em nossos sentimentos.


Da segunda metade do século passado para cá, entendo que houve um movimento de banalização, de mercantilização da Arte e, consequentemente, da beleza. O próprio conceito de Estética, de certa forma, empobreceu na medida em que foi aliada a vaidade humana, a cuidados com a pele, rosto e corpo, isto é, com o superficial. Na verdade deveria abordar o interior, sobretudo o cérebro.


Diante disso, a vulgarização da Estética atingiu corpos e mentes e, principalmente, a atual parte mais sagrada da maioria dos corpos contemporâneos: o bolso.

A indústria instituiu “padrões de beleza”, os quais passaram a balizar comportamentos e atitudes. Tudo e todos escravizados na busca e conquista da atual beleza.


A meu ver, nivelou-se tudo por baixo. A estética perdeu a “aesthésis”. O conceito de belo ficou muito feio.


Um de meus parâmetros é o cinema e suas belas divas.


Cresci amando-as e admirando-as. Rostos e corpos esculturais. Todavia, com um além: o cérebro. Mulheres cujas belezas estavam também no falar pensar.


Poderia listar algumas. Escolho minha grande musa: Isabelle Adjani. Aniversariou na segunda-feira passada. Sessenta e um anos. Bela. Envelhecendo com dignidade. Sem perder o encanto. Mais importante: o cérebro continua afiado.

A primeira vez que a vi foi atuando em “Nosferatu” de Werner Herzog de 1979. Seu rosto me pareceu pintado por Renoir. Uma beleza impressionista. Incomum. Sutil aos olhos comuns.


Filha de pai argelino e mãe germânica, nasceu em solo Frances.

Seu primeiro papel de protagonista foi em 1974, “História de Adele H”, dirigida por Françoise Truffaut.


Assisti a essa película alguns anos depois.


Filmou “Subway” de Luc Besson em 1988.


Sete anos antes recebeu a “Palm D’Or” de melhor atriz em Cannes pelo seu desempenho em “Quartet”. No ano seguinte o Cesar por “Possession”.

Em 1989 protagonizou “Camille Claudel” com Gerard Depardieu vivendo o escultor Auguste Rodin.


Recordo-me de sua atuação no bobo “Ishtar”, com Warren Beatty e Dustin Hofman, no qual somente sua presença salva o filme.


De relevante, filmou em 1994 “A Rainha Margot” de Patrice Chéreau e “Diabolique” de Jeremiah Chechick de 1996, com Sharon Stone. Detalhe: sua beleza é tão gigantesca que a loura norte-americana, aos meus olhos, ficou feia perto da francesa.


Minha musa consegue recuperar o conceito grego em toda sua dimensão.


Parabéns, minha musa. 


Santé e paix. Félicité!

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