Sérgio Piva

Polícia para quem precisa

Polícia para quem precisa

Por Sérgio Piva

Por Sérgio Piva

Publicada há 9 anos

O dia dois de julho é o dia de quem apaga o fogo. nessa data comemora-se o Dia do Bombeiro Brasileiro. corporação de defesa civil cujos componentes são aclamados como heróis. Além de fazer a fiscalização em empresas, garantindo condições de primeiros atendimentos em caso de incêndios, esses profissionais servem para apagar fogo (sem trocadilho), são preparados para fazer resgates de pessoas que correm risco de perder a vida, entre tantas outras atribuições. Sem dúvida, o adjetivo “heróis” pode ser-lhes atribuído. Sempre precisaremos dos bombeiros em nosso dia-a-dia, especialmente nas emergências desagradáveis. não esqueçamos que o corpo de Bombeiros faz parte da Polícia Militar, assim como a Rodoviária e a Ambiental. 


E a Polícia Ostensiva, quando precisamos dela? Para que precisamos? quem é que precisa? Precisamos dela quando necessitamos de segurança. Precisamos para nossa proteção. E quem precisa da polícia são as pessoas de bem, as cidadãs e cidadãos que cumprem a lei e seguem as regras de convivência em sociedade. quem não se enquadra nesse grupo nunca quer a Polícia por perto, mais, sempre terá motivo para criticá-la, para não gostar dela. 


Segundo o site da Polícia Militar do Estado de São Paulo, a “Polícia Ostensiva é a polícia uniformizada, fardada e identificada, tanto para coibir o crime pela simples ação de presença, bem como reprimi-lo tão logo ele aconteça na atividade de policiamento”, “’Polícia’ é a denominação das corporações governamentais incumbidas da aplicação de determinadas leis destinadas a garantir a segurança de uma coletividade, a ordem pública e a prevenção e elucidação de crimes”, “com funções de prevenção e repressão ao crime e manutenção da ordem pública, através do uso legítimo da força se necessário, fazendo respeitar e cumprir as leis”, “tal modalidade de policiamento tem por objetivo principal atingir visibilidade à população, proporcionando o desestímulo de infrações à lei e a sensação de segurança (prevenção contra infrações legais e profilaxia criminal), por demonstrar a força e a presença estatal, além de dar segurança aos próprios agentes em diligências (repressão)”. 


Reproduzi a descrição acima para lembrar ou informar qual a função da Polícia Militar na sociedade, quem também trabalha em conjunto com a Polícia civil. A Polícia é chamada ou acionada quando não há ordem social ou quando inúmeras ocorrências do convívio em sociedade não são resolvidas de forma pacífica ou dentro daquilo que determina a lei. 


Ultimamente, especialmente os órgãos de imprensa, desperdiçam muito de seu tempo para criticar a Polícia e as falhas de alguns membros dessa corporação. não há dúvidas de que há falhas de certos componentes da Polícia, há policiais desonestos e despreparados para exercerem suas funções, exatamente como há em todas as demais profissões. Mas é importante ressaltar que, diante de uma infinidade de acertos e serviços exercidos com competência, as poucas falhas que ocorrem são cometidas por alguns de seus membros, não pela Polícia enquanto instituição. 


Não acho que a Polícia deva sair por aí atirando e matando pessoas, mas quem foge da polícia, que é alvo de disparos das armas dos policiais, raramente é uma pessoa de bem ou, se o é, estava cometendo algum crime, quando não são as duas coisas juntas. Se não há o que temer, ninguém foge da Polícia e, por sua vez, a Polícia não age repressivamente sem necessidade. 


Por isso acho muito engraçado, até irritante, quando as pessoas reclamam que a Polícia exerceu força bruta, como, por exemplo, no quebra-quebra dos tumultos que ocorrerem em manifestações vira-e-mexe nas grandes cidades, no momento em que vândalos, até criminosos, que se infiltram em meio os manifestantes, começam a quebrar tudo, explodindo em violência. O que querem que a Polícia faça? que entregue uma rosa para cada um deles e peça gentilmente para pararem de destruir o patrimônio público e privado, peçam, educadamente, por favor, para que não façam aquilo? quem respondeu que sim, deveria tentar essa proeza. 


A coisa piora quando menores de idade estão envolvidos nas ocorrências. Aí todo mundo tem dó da “criancinha” que estava roubando e, se brincar, matando, sem nem piscar. Tem dó até o momento em que não prejudiquem os abnegados. não vou entrar no mérito dos motivos ou justificativas que levaram o menor ao mundo do crime. O fato é que o papel da Polícia Ostensiva é preventivo e repressivo, prevenir o pior e combater o crime, promover a segurança. Ela não é uma entidade socioassistencial, ainda que desenvolva, através de seus vários órgãos, uma série de atividades sociais visando o auxilio a população. Se todos os demais filtros familiares e sociais falharam ou não foram suficientes para evitar que a pessoa cometa o crime, não será o Polícia que o irá aconselhar, pois ela é a última barreira, ou pelo menos deveria ser, onde se tenta bloquear a violência e o crime. 


O que precisa acabar, porém parece não haver muita esperança, é o infrator ou criminoso, depois de levado á delegaria pela Polícia, sair primeiro que ela do local, ainda que seja um menor de idade, já que, ainda assim, na maioria dos casos, é um criminoso. isso não ocorre por culpa dos delegados ou dos juízes, eles apenas cumprem as leis editadas. Os legisladores e a sociedade em geral precisam começar a perceber que a idade cronológica do indivíduo nem sempre é a mesma da idade mental. O corpo biológico e a mente são duas coisas diferentes e podem estar dissociadas.


Uma reportagem do site de noticias G1, publicada no último dia trinta e um de março, informou que um policial militar foi morto a cada seis dias em São Paulo nos dois primeiros meses de 2016, segundo dados oficiais da Polícia Militar. Dos dez policiais militares assassinados nos 60 dias iniciais deste ano, nove estavam fora de serviço (de folga ou aposentados). Ou seja, muitos deles morreram no exercício de sua profissão, tentando proteger você e a mim, buscando construir a segurança que tanto reclamamos. Outros foram mortos apenas por serem “da Polícia”.


São essas pessoas, além dos nobres componentes do bombeiro e das outras polícias, que também devem receber nosso respeito e admiração, pois, como aqueles, não estão somente arriscando, mas dando suas vidas em benefício da segurança da sociedade e das pessoas de bem. E são elas que precisam da Polícia.


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