
Foi lá nos velhos e bons tempos, quando o então joveme scritor Wilson Granella era repórter e fotógrafo do lendário jornal Na Hora, fundado por Franco Garcia Pelayo e comprado por Antônio Carlos Catelani, que este fato se assucedeu, como diria o saudoso Alcides Corsini, o Perú, que também trabalhava no glorioso Na Hora. Um belo dia,o jovem repórter teve que fazer um serviço arriscado e urgente: era preciso fotografar uma gigantesca queimada que consumia uma grande mata lá pelas bandas do Povoado do Sol, nas margens do velho e bom ribeirão Santa Rita. Sem dúvida alguma, a notícia seria a manchete principal do dia seguinte. Alguém na redação ligou para o aeroclube e acertou um avião para o Granela voar e fazer as fotos do tal incêndio. Quando chegou no aeroporto, vendo o velho e pequeno avião Paulistinha, aquele verdinho, com motor ligado já na saída do hangar, apressado, cumprimentou o pessoal, entrou rapidamente na aeronave, deu um tapinha nas costas do piloto e sapecou:
— Vamos lá companheiro! Pé na tábua e fé em Deus! O piloto taxeou o aeroplano pela pista e decolou sem problemas. Em pleno voo, o Granella avisou o jovem comandante:
— Você está vendo aquela fumaça bem lá na frente, depois de Ouroeste? Então, quero que você voe baixo e chegue o mais próximo possível que puder!
— Mas por quê? — perguntou intrigado o jovem piloto.
— Ué, pra tirar as minhas fotos prá reportagem! Eu sou o Granella, fotógrafo do jornal Na Hora! O piloto fica pálido, permaneceu alguns segundos em silêncio e disse gaguejando:
— Pelo amor de Deus, deixa de brincadeira parceiro! Fala logo que você é o meu novo professor de pilotagem!